Foto: Reprodução

Venho pensando sobre a forma como estamos nos relacionando, principalmente após a popularização da internet como meio de comunicação de massa. Tem se tornado comum todo tipo de impropérios trocados quando há divergência de opinião, como se isto não fosse uma característica da vida civilizada em sociedade, isto é, o exercício do livre pensamento e o direito às próprias opiniões, desde que não coincidam com aquilo que pertence ao lugar do preconceito e do crime.

Aliás, não apenas nos meios digitais, mas também no contato direto tem se avolumado cada vez mais os confrontos entre pessoas que têm opiniões divergentes. Se antes já era incompreensível quando torcidas de times de futebol se digladiavam em praça pública, hoje isso ocorre entre oponentes políticos simplesmente por haver intolerância mútua diante de posicionamentos diferentes. Curiosamente, em muitos casos, as pessoas que se horrorizam quando veem os conflitos no Oriente Médio, são as mesmas que defendem o extermínio de outras pessoas apenas por pensarem diferente daquilo em que elas acreditam.

Mas é inegável que o distanciamento físico, que é característico ao uso da internet, faça com que muitas pessoas abusem do direito a opinião e atuem como detratoras de um suposto inimigo sobre quem, muitas vezes, não fazem a mínima ideia de quem ele seja, ou sobre sua dignidade e correção. O desconhecimento sobre quem é a outra pessoa, baseado em sua real história de vida, não impede que os xingamentos ocorram também em função disso: ignorância, preconceito, má-fé ou fake news.

É muito importante que possamos trazer ao centro de nossas relações sociais a empatia, o respeito e, sobretudo, a aceitação de que na democracia as pessoas têm liberdade de definir aquilo em que acreditam. O maranhense Ferreira Gullar declara em seu poema “Traduzir-se” isto aqui: “uma parte de mim pesa, pondera; outra parte delira.” Que em homenagem ao poeta possamos fazer da convivência democrática nosso elogio a civilização e não permitirmos que, diferentemente de suas intenções, um delírio tóxico penetre em nossas mentes e contamine nossos corações.

(Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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