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“Caleidoscópio”, por Luci Bonini

Imagine se esse texto estivesse com todas as letras embaralhadas…

Moar é gfoo uqe dera sme se rev, é dorife ueq ódi e ãon es enstee…”

Se essa página fosse um caleidoscópio, a gente podia chacoalhar bastante e, quem sabe, as palavras se reorganizariam e poderíamos ler o belo início de um poema.

Pensando nisso, resolvi, esses dias, brincar com um caleidoscópio. Um brinquedo simples que é feito num canudo, com espelhos inclinados em seu interior e com muitas pecinhas coloridas. Esse canudo tem uma tampa com um pequeno orifício através do qual olhamos e vamos mexendo o brinquedo a fim de que as peças coloridas façam alguma combinação. Essa palavra vem do grego calos – belo; eidos – imagem e scópio – olhar observar. Muito bem, um artefato para que possamos brincar observando belas imagens.

Tantas vezes que mexermos no caleidoscópio, tantas serão as combinações das peças coloridas em seu interior, sem que a combinação se repita…. Será!

Na minha opinião, esse instrumento serve de metáfora para muita coisa no mundo, aliás ele já foi usado para descrever as culturas espalhadas pelo mundo, por antropólogos, já foi usado para descrever os movimentos artísticos, enfim, cabe em muita coisa.

Só que sempre existe um mas… Mas a metáfora do caleidoscópio não dá para ser usado na ignomínia humana. O erros dos seres humanos se repetem há séculos. A violência, as guerras, os abandonos, a falta de amor e respeito, a exploração do planeta e dos que nele habitam, o desprezo pela vida do próximo e do distante são erros que vêm sendo cometidos há séculos e nenhum poder como os poderes do Estado, as religiões que são inúmeras no mundo, nenhum processo educacional, nenhuma das milhares de milhares de organizações não governamentais que atuam nesse mundo são capazes de mudar o comportamento humano.

O processo “civilizatório” não resolveu nossos problemas. Quando falamos em pessoas civilizadas, o que vem à nossa mente são pessoas educadas, gentis, que compartilham gentilezas e fazem o bem ao seu semelhante, correto? Mas não é assim que funciona! Em tese, a maior parte dos quase 8 bilhões e 100 milhões de habitantes no mundo atual, ainda há perseguição, violência, falta de julgamentos mais rigorosos para quem comete atos de violência contra seu próximo.

Esses dias, lendo um livro do professor Michio Kaku, ele explica os níveis de civilizações que podemos ter no universo. Ele fala que estamos no nível I de civilização, aquela que explora os recursos naturais, acaba com o planeta e não se preocupa com a vida em geral. Há ainda as civilizações nível II e III. A Nível II, já usa o espaço como fonte de energia, não esgota os recursos naturais de seu planeta e os seres vivos vivem em paz, a de nível III é aquela que se utiliza da energia da galáxia e não precisa falar mais nada….

Finalmente, ele concluiu que para chegarmos ao nível II de civilização vamos levar 10 bilhões de anos…

Quem dera antes de nos autodestruirmos pudéssemos ter a beleza e a sutileza de um caleidoscópio!!!!

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiario.com)