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Gata resgatada pela ONG PAS, em Suzano, chama a atenção para a esporotricose, doença que afeta animais e pode ser transmitida para humanos

A gata chamada Lua, abandonada em um condomínio de Suzano, venceu a batalha contra a esporotricose após 120 dias de tratamento intenso. O animal foi acolhido pela ONG Projeto Adote Suzano (PAS), onde recebeu os cuidados necessários para sua recuperação.
A esporotricose é uma infecção causada por um fungo que afeta principalmente gatos, mas também pode ser transmitida para humanos e outros animais.

A doença é adquirida através do contato com esporos do fungo presentes no solo, vegetais e em ferimentos de animais infectados. Essa contaminação ocorre com frequência através da arranhadura de gatos contaminados pelo fungo. Através da ferida aberta pelo arranhão, os fungos penetram no novo organismo e causam a infecção.

A esporotricose é uma doença zoonótica, o que significa que pode ser transmitida de animais para pessoas, apresentando um risco significativo para seu controle e proteção à saúde pública.

“Para nós foi um grande desafio, já que o tratamento de um gato contaminado com essa doença expõe ao risco não somente os voluntários envolvidos nos cuidados, mas também outros cães e gatos acolhidos pela ONG”, disse Lisandro Frederico, ativista da Causa Animal que atuou no tratamento de Lua.

O diagnóstico da esporotricose é realizado por meio de exames laboratoriais, que incluem a cultura do fungo a partir de amostras coletadas das lesões cutâneas do animal. O tratamento, por sua vez, consiste em uma terapia antifúngica prolongada, podendo durar vários meses, como foi o caso de Lua, que passou 120 dias sob tratamento contínuo até a completa recuperação.

Três voluntários da ONG, com apoio de profissionais veterinários, participaram do tratamento da gata. Luana de Andrade, uma das veterinárias responsáveis, explicou os riscos do tratamento.
“Apesar da medicação indicada para tratamento da esporotricose ter evidências objetivas sobre sua eficácia, o tempo de tratamento é bem prolongado, o que pode acarretar o desenvolvimento de outras comorbidades no curso da terapia. No caso da Lua, não tivemos intercorrências porque utilizamos em paralelo suplementos para amenizar os danos ao organismo do animal”, afirmou.

A biblioteca virtual do Ministério da Saúde faz um alerta sobre os principais sintomas da doença nos gatos: os sintomas mais comuns são feridas profundas na pele, geralmente com pus, que não cicatrizam e costumam evoluir rapidamente, e espirros frequentes.
Além disso, a doença tem crescido no Brasil. Nos últimos anos, houve um aumento significativo no diagnóstico de esporotricose, principalmente em regiões urbanas. Esse crescimento destaca a importância do monitoramento constante e da implementação de medidas preventivas, entre elas estão as consultas periódicas ao veterinário e a proibição de gatos terem acesso à rua.

A castração também tem sido uma medida indicada para controle da doença, já que reduz a proliferação descontrolada de animais e, consequentemente, o apetite sexual do animal, que deixa de procurar a rua em busca de acasalamento. São medidas que reduzem a disseminação da doença. Em alguns municípios, como a capital paulista, prefeituras têm declarado a esporotricose como uma doença de notificação compulsória, uma medida crucial para o controle e prevenção de surtos.

No caso da gata resgatada, a história de Lua não comprovou somente a eficácia do tratamento, mas também trouxe esperança sobre os casos da doença. São comuns os relatos de eutanásia em animais diagnosticados com a doença devido ao risco de transmissão.

Lisandro destaca a necessidade de políticas públicas eficazes para o controle da esporotricose e outras doenças zoonóticas, além da consciência da população e de clínicas veterinárias que se deparam com a doença.
“É um trabalho difícil, que exigiu muitas mudanças na rotina da ONG. De qualquer forma, a cura da Lua traz esperança para que tenhamos mais controle e conscientização sobre a doença”, finalizou.