No último domingo (24), foi celebrado nacionalmente o Dia do Artista.
No Alto Tietê, há muitos motivos para se orgulhar. Isso porque a região, que abrange cidades como Poá, Suzano, Mogi das Cruzes e Ferraz de Vasconcelos, é berço de artistas que vêm rompendo barreiras com suas boas histórias e talentos diversos.
Kayblack, Luan Pereira, AJuliaCosta e Maria Preta são nomes que saíram dos municípios da região para o topo dos streamings e dos palcos nacionais.
O portal Hoje Diário trás a biografia desses quatro artistas para o reconhecimento e a propagação da arte regional.
Kayblack (Ferraz de Vasconcelos/Mogi das Cruzes) – Do carro para o Top 50
Com mais de 6 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, Kayblack, de 25 anos, é um dos maiores nomes do trap e do rap romântico no país. Apesar de ter nascido na Baixada Santista, Kaique Menezes viveu a maior parte de sua vida entre Ferraz de Vasconcelos e Mogi das Cruzes.
Enfrentou dificuldades extremas na infância, chegando a morar com a família em um carro após uma ordem de despejo, como relatado em podcasts e programas.
O início foi no funk e na produção musical, mas foi o rap que deu sentido e força à sua voz. Com influências do pagode herdadas do pai e aprendizados com o irmão MC Caverinha, artista revelado em 2019, Kayblack se firmou como compositor de letras profundas, centradas nas emoções de relacionamentos e nos dilemas da juventude.
O EP Contradições, lançado em 2023, consolidou esse estilo com autenticidade e o colocou quatro vezes no Top 50 Brasil. Além disso, o trapper entrou para a lista Forbes Under 30 no mesmo ano.
AJuliaCosta (Mogi das Cruzes) – Rap e empoderamento feminino
Com mais de 300 mil ouvintes mensais nas plataformas e mais de 640 mil seguidores nas redes sociais, AJuliaCosta, também conhecida como Aju ou AJC, é uma das artistas femininas mais ouvidas no rap nacional. Natural de Mogi das Cruzes, cresceu na CDHU e transformou as dificuldades financeiras em estímulo para empreender e criar.
Nas redes sociais, contou que, aos 17 anos, fundou a marca AJuliaCosta Shop, com roupas feitas à mão, e passou a conciliar o empreendedorismo com sua paixão pela música.
Sua entrada na cena do rap ocorreu por meio das batalhas de rima da cidade, aos 14 anos. Anos depois, voltou com força total à música, lançando o EP Aju, com seis faixas que falam da quebrada, do empoderamento e da vivência feminina. As músicas “Homens Como Você” e “Não Foi do Nada” se tornaram hinos para a juventude feminina.
No início do ano, a rapper conquistou o prêmio BET Awards 2025.
Luan Pereira (Suzano) – O agroboy do agronejo
Com mais de 10 milhões de seguidores no Instagram e hits em primeiro lugar, Luan Pereira, nascido em Suzano em 2003, é a personificação do “agronejo” urbano. Aos 22 anos, mistura sertanejo, funk e ostentação com estética rural em músicas que falam de Dodge Ram, roça e festas com a mesma naturalidade com que fala da infância entre Suzano e o interior paulista. Seu sucesso começou com o estouro da faixa “Dentro da Hilux”, que chegou ao topo do Spotify Brasil.
Mesmo com a imagem de “homem do campo”, Pereira representa um novo tipo de sertanejo: mais digital e descolado, que usa a linguagem da internet, coreografias e humor para conquistar o público jovem.
Em recente declaração, o artista citou ter crescido ouvindo modões e sonhando com o palco. Hoje, já soma colaborações com grandes nomes como Ana Castela, Zé Felipe e Gustavo Mioto. Além disso, o cantor suzanense ganha destaque ao participar do programa Domingão, no quadro Dança dos Famosos.
Maria Preta (Poá) – Da rima de rua à Netflix
Com mais de 60 mil seguidores nas redes, Maria Preta, ou como é carinhosamente intitulada, Tupi da Quebrada, é uma potência da nova cena do rap nacional. Nascida em Poá, Victoria Maria iniciou sua trajetória artística em batalhas de rima, sendo uma das fundadoras da tradicional Batalha do Grau, no município.
Seu trabalho é enraizado na experiência de ser mulher periférica e indígena, misturando hip-hop com elementos de ancestralidade, resistência e maternidade.
Em 2024, ganhou destaque nacional ao participar do reality Nova Cena, da Netflix, ao lado de artistas mainstream como Felipe Ret, Djonga e Tasha & Tracie. Foi a única indígena da competição, ampliando seu alcance para públicos de todas as idades.
Apesar do grande sucesso, ela segue desenvolvendo sua carreira de forma independente, criando músicas no estúdio Forte Abraço, na zona leste da cidade de São Paulo.