Há alguns anos eu publiquei um texto intitulado Obesidade Informacional, isso deve fazer uns 10 ou 15 anos, mais ou menos. Esses dias, parei um pouco para refletir sobre esse mesmo tema e me vieram outras conclusões sobre o acúmulo de informação a que temos acesso em tempos de celulares e computadores conectados à internet e mais especificamente às redes sociais.
Vivemos em uma era de acesso sem precedentes à informação. A internet, os smartphones e as redes sociais nos conectam a um fluxo constante de notícias, dados e entretenimento. No entanto, essa abundância de informações, que deveria ser uma vantagem, transformou-se em um desafio significativo para a nossa saúde mental e produtividade. A intoxicação informacional, ou infoxicação, é um mal silencioso que afeta sujeitos, organizações e governos minando nossa capacidade de concentração, criatividade e bem-estar.
A intoxicação informacional descreve a sobrecarga mental e emocional causada pela exposição a um volume de informações que ultrapassa a nossa capacidade de processamento. Esse excesso, impulsionado pela onipresença da tecnologia digital, nos bombardeia com notificações, e-mails, mensagens e atualizações constantes, criando um estado de ansiedade e confusão mental. A infoxicação está intimamente ligada à síndrome de FOMO (Fear Of Missing Out), o medo de ficar por fora, que nos impulsiona a consumir informações de forma compulsiva e acrítica.
Observo que em muitos casos as informações vêm aos pedaços, mal organizadas, e muitas vezes criadas com Inteligência Artificial.
Assim, a saúde mental fica comprometida pois a sobrecarga de informações pode levar à ansiedade, estresse, fadiga cognitiva e dificuldade de concentração, contribuindo, assim para a falta de criatividade e produtividade, há copias e cópias mal feitas de coisas que giram sobre o mesmo assunto.
O excesso de informações pode levar à dificuldade em filtrar e analisar criticamente os dados, comprometendo a nossa capacidade de fazer escolhas conscientes e estratégicas.
Então seguem alguns conselhos: façam uma dieta, de vez quando, evitando ficar muito tempo nas redes sociais, busquem cultivar o ócio criativo para recarregar as energias e selecione fontes confiáveis (embora difíceis)
Embora a tecnologia nos ofereça inúmeros benefícios, é crucial reconhecer os seus potenciais malefícios e adotar uma postura mais crítica e seletiva em relação ao consumo de informações. Quando se pratica a “higiene digital”, pode-se mitigar os efeitos negativos da infoxicação e redescobrir o valor do silêncio, da reflexão e da criatividade em um mundo cada vez mais barulhento.