A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar uma possível troca de bebês natimortos no Hospital Regional Doutor Osiris Florindo Coelho, em Ferraz de Vasconcelos. A ocorrência foi registrada nesta segunda-feira (22), após duas famílias apontarem divergências entre os corpos apresentados para reconhecimento e os filhos que haviam perdido durante a gestação.
Segundo informações do Boletim de Ocorrência (B.O.), a Polícia Militar foi acionada depois que um pai foi chamado pela unidade de saúde para ir até o necrotério. No local, ele percebeu que o corpo apresentado não correspondia à filha natimorta que já havia sido sepultada dias antes.
De acordo com o relato, o acompanhamento pré-natal foi feito na rede pública, mas um exame de ultrassonografia realizado em um hospital particular, por volta do sétimo mês de gestação, apontou o óbito da bebê ainda no útero. Após a internação no hospital regional, a família foi informada de que a causa da morte seria apurada em até 30 dias e que o sepultamento não poderia ocorrer de forma imediata, pois o corpo seria submetido a exames.
Dias depois, após insistência e com orientação jurídica, o pai voltou ao hospital e recebeu um corpo que reconheceu como sendo de sua filha. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Paz, em Poá, com o caixão lacrado, o que impediu a confirmação visual durante o velório.
Nesta segunda-feira (22), o homem recebeu três ligações da unidade hospitalar solicitando que comparecesse imediatamente ao necrotério. Ao chegar, constatou que o corpo apresentado não correspondia ao da criança já sepultada, embora a documentação estivesse em nome de sua companheira. Diante da situação, a Polícia Militar foi novamente acionada.
Outra família também procurou o hospital após identificar inconsistências. Uma adolescente de 17 anos, acompanhada da mãe, relatou que deu à luz uma bebê natimorta no dia 19 de dezembro e que teve apenas um breve contato antes da retirada do corpo. Ao retornar para tratar de procedimentos com a funerária, a família notou que o corpo apresentado era diferente, com alterações em características físicas como tamanho e presença de cabelo. O motorista da funerária confirmou a divergência observada.
Ainda conforme o registro policial, uma representante administrativa do hospital informou que não foi possível confirmar a identidade do natimorto porque, dias antes, outra criança com o mesmo nome havia sido sepultada, o que pode ter causado confusão nos registros internos da unidade.
Todos os envolvidos foram encaminhados à Delegacia Central de Ferraz de Vasconcelos. A autoridade policial determinou a abertura de inquérito para apurar eventuais responsabilidades. Também foi solicitado ao IML (Instituto Médico Legal) um exame para identificar a causa da morte do natimorto que ainda não foi sepultado, além da coleta de material genético para identificação por DNA.
O caso foi registrado como morte suspeita e encontro de cadáver e permanece sob investigação da Polícia Civil.



























