“Copa do Mundo e o coração: é possível sofrer um infarto por causa de um jogo?”, por Doutor Jorge Abissamra Filho

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A Copa do Mundo mobiliza bilhões de pessoas ao redor do planeta. Durante noventa minutos, a emoção toma conta dos torcedores. Gritos, tensão, ansiedade, esperança e euforia transformam uma simples partida de futebol em uma verdadeira montanha-russa emocional. Mas uma pergunta surge com frequência: será que um jogo de futebol pode realmente provocar um infarto ou até levar alguém à morte?
A resposta é sim. Embora seja algo incomum, grandes emoções podem funcionar como gatilho para eventos cardiovasculares graves em pessoas predispostas.

Quando assistimos a uma partida decisiva, especialmente envolvendo a seleção brasileira, nosso organismo reage como se estivesse enfrentando uma situação de perigo. O cérebro libera adrenalina, noradrenalina e cortisol, hormônios responsáveis por aumentar a frequência cardíaca, elevar a pressão arterial e preparar o corpo para uma resposta rápida.
Para a maioria das pessoas, essa reação é passageira e não traz consequências. Entretanto, indivíduos com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de infarto, insuficiência cardíaca ou doença coronariana podem apresentar maior risco de complicações.

Estudos realizados durante diferentes Copas do Mundo mostraram aumento no número de internações por infarto, arritmias cardíacas e morte súbita em dias de jogos decisivos. Em momentos de extrema tensão, pode ocorrer a ruptura de placas de gordura presentes nas artérias coronárias, desencadeando um infarto agudo do miocárdio.
Além disso, existe uma condição conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse, popularmente chamada de “Síndrome do Coração Partido”. Nessa situação, uma descarga intensa de adrenalina provoca uma alteração temporária do funcionamento do músculo cardíaco, gerando sintomas muito semelhantes aos de um infarto.

Curiosamente, não são apenas as derrotas que podem causar problemas. Grandes alegrias também podem desencadear alterações cardiovasculares. Há relatos médicos de pacientes que sofreram infarto após títulos esportivos, vitórias históricas e momentos de intensa felicidade.

Outro fator importante é que muitos torcedores associam os jogos ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos, cigarro e privação do sono. Esses hábitos aumentam ainda mais a sobrecarga sobre o coração e podem potencializar os riscos.
Os sinais de alerta incluem dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, tontura, palpitações e mal-estar súbito. Diante desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

A boa notícia é que a emoção de torcer não precisa ser evitada. Pelo contrário. O futebol promove integração social, bem-estar emocional e momentos inesquecíveis. O segredo está em cuidar da saúde durante todo o ano. Controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol, praticar atividade física regularmente e manter acompanhamento médico adequado são medidas que reduzem significativamente os riscos.
Nesta Copa do Mundo, torça, comemore e viva cada lance intensamente. Mas lembre-se: o coração que aguenta uma disputa de pênaltis é o mesmo que precisa ser cuidado todos os dias.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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