A pequena Maria Júlia, a Maju, de quatro anos, vive uma nova fase após passar por um retransplante de fígado e superar mais uma etapa de uma longa batalha pela vida. Moradora de Suzano, a menina recebeu um novo órgão no dia 25 de março deste ano, após meses de mobilização da família em busca de um doador compatível.
A história de Maju chegou ao portal Hoje Diário em 2025, quando a mãe, Thuanny Cruz, entrou em contato pedindo ajuda para encontrar um doador para a filha, que precisava de um novo transplante após complicações relacionadas ao primeiro procedimento, realizado quando ela ainda era bebê.
Agora, meses após a campanha, Thuanny voltou a procurar nossa equipe de reportagem para compartilhar a atualização: o retransplante foi realizado, e Maju está se recuperando em casa. Em entrevista ao portal Hoje Diário, a mãe contou que a filha está bem após o procedimento.
“A Maju está com quatro anos e, graças a Deus, está muito bem após o retransplante”, disse.
A cirurgia aconteceu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Após o procedimento, mãe e filha foram transferidas para o Hospital Menino Jesus, também na capital paulista, unidade de referência no acompanhamento médico da menina desde os três meses de vida.
A recuperação após o transplante exigiu cuidados intensos.
“Depois da cirurgia, ficamos internadas por cerca de dois meses, porque ela apresentou algumas intercorrências. Uma delas foi uma paresia de diafragma, que a impedia de respirar sozinha. Por isso, ela precisou ficar quase um mês utilizando ventilação não invasiva (VNI), que a ajudou durante sua recuperação respiratória”, contou Thuanny.
Após esse período, Maju também apresentou alterações no funcionamento do intestino, mas a suspeita inicial de uma obstrução intestinal foi descartada.
“Em seguida, o intestino dela parou de funcionar adequadamente. Os médicos chegaram a suspeitar de uma obstrução intestinal, mas, felizmente, não era nada disso. O intestino apenas estava mais lento e, com o tempo, voltou a funcionar normalmente”, disse.
Atualmente, a menina segue em acompanhamento médico frequente para avaliar a evolução do novo fígado.
“Neste início do pós-transplante, o acompanhamento médico é bastante intenso. A cada quinze dias, temos consultas com a equipe de transplante e com a nutricionista, além da realização de coletas de sangue para acompanhar sua evolução”, explicou.
O caminho até encontrar uma doadora compatível foi marcado por diversas tentativas.
“Foram muitas tentativas até encontrarmos a doadora ideal. Diversas pessoas se disponibilizaram a realizar os exames de compatibilidade, mas sempre surgia algum impedimento. Em muitos casos, os próprios exames acabavam identificando alguma condição de saúde que precisava ser tratada”, explicou Thuanny.
A mãe conta que já estava desanimada após tantas respostas negativas, até receber uma ligação do hospital.
“Quando me ligaram dizendo que estava tudo certo e que havia uma doadora para a Maju, eu quase não acreditei. Demorou um pouco para a ficha cair. Depois dessa notícia, a cirurgia aconteceu rapidamente”, contou.
O transplante de fígado pode ser realizado com doadores falecidos ou vivos. Neste segundo caso, uma pessoa saudável pode doar parte do fígado após passar por avaliações médicas para verificar a segurança do procedimento e a compatibilidade. Isso é possível porque o fígado possui capacidade de regeneração, permitindo que tanto a parte doada quanto a que permanece no doador se recuperem ao longo do tempo.
O procedimento teve duração de 12 horas e marcou mais um momento de superação da menina.
“Foram 12 horas de cirurgia. Mais uma vez, a Maju mostrou toda a sua força e coragem”, contou.
No dia 25 de junho, Maju completou três meses de retransplante. Segundo Thuanny, a filha já apresenta avanços importantes na recuperação.
“Hoje, é uma criança cheia de energia, que brinca, corre, pula e não para um minuto. Os exames estão ótimos, graças a Deus. A nutricionista está muito feliz com sua evolução, especialmente porque ela voltou a ganhar peso. É realmente outra criança”, disse.
Mesmo com a melhora, a rotina da família continua envolvendo cuidados médicos.
“Minha rotina continua sendo dedicada integralmente a ela: consultas, exames, medicamentos e cuidados com a alimentação, que precisa ser a mais saudável possível. Nem tudo ela pode comer. Mas agora tudo está mais leve, porque consigo vê-la bem, feliz e se recuperando a cada dia”, explicou.
Para Thuanny, acompanhar a recuperação da filha após tantos desafios representa uma grande conquista. A mãe também deixou uma mensagem para outras famílias que enfrentam situações semelhantes.
“Eu sei o quanto essa caminhada pode ser difícil, cheia de medos, dúvidas e desafios. Houve momentos em que tudo parecia muito pesado, mas aprendi que a esperança precisa ser maior que o medo”, contou Thuanny.
Segundo ela, a história da filha reforçou a importância da solidariedade e da união das pessoas que ajudaram durante a campanha.
“A história da Maju me ensinou a acreditar ainda mais na força do amor, da fé, da medicina e da solidariedade. Somos imensamente gratos à doadora que, com um gesto de generosidade e amor ao próximo, ajudou a dar à Maju uma nova oportunidade de viver, crescer e sonhar”, finalizou.
Hoje, Maju segue em recuperação.








