Os acontecimentos das últimas semanas reforçam uma discussão que precisa deixar de ser adiada. Se protegemos nossas crianças nas escolas, nas ruas e dentro de casa, por que ainda demoramos tanto para exigir a mesma proteção no ambiente digital?
Nesta semana, o debate ganhou ainda mais força no Brasil. A responsabilização de plataformas por falhas na proteção de crianças e adolescentes, as discussões sobre mecanismos de verificação de idade e a necessidade de maior controle sobre conteúdos e interações mostram que a internet não pode continuar sendo tratada como um território sem responsabilidade. A recente atuação das autoridades brasileiras em relação ao Discord e a discussão sobre práticas de outras grandes plataformas deixam claro que esse desafio está diante de todos nós.
O Brasil já deu passos importantes para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Mas nenhuma legislação, sozinha, será capaz de resolver tudo. A proteção da infância exige responsabilidade compartilhada. As plataformas precisam assumir seu papel. O poder público deve fiscalizar e garantir o cumprimento das regras. As famílias precisam acompanhar, orientar e dialogar.
A internet oferece conhecimento, oportunidades, comunicação e desenvolvimento. O desafio é garantir que crianças e adolescentes possam aproveitar tudo isso sem ficarem expostos à violência, à exploração e a riscos que muitas vezes os adultos sequer conseguem enxergar.
Proteger a infância sempre foi um dever coletivo. Na era digital, esse dever ganhou uma nova dimensão. E não podemos permitir que a velocidade da tecnologia seja maior do que a nossa capacidade de cuidar das pessoas.
Porque, quando se trata de crianças, proteger não pode ser uma opção. Deve ser sempre uma prioridade.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).





