Hoje Geek: quem é Jo March, personagem de “Mulherzinhas” que desafia expectativas sobre as mulheres; assista

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“Mulheres têm mentes e têm almas, além de apenas corações. Elas têm ambição e talento, além de apenas beleza.” A frase é dita por Jo March em “Adoráveis Mulheres”, adaptação cinematográfica de 2019, e resume uma das principais características da personagem: a vontade de construir a própria trajetória.
Criada pela escritora Louisa May Alcott no século XIX, Jo se tornou uma das figuras mais marcantes da literatura ao questionar o que era esperado de uma mulher naquele período. A trajetória da personagem ganha destaque nesta quarta-feira (26), Dia Internacional da Igualdade Feminina, data celebrada nos Estados Unidos em referência à conquista do direito ao voto feminino, em 1920, e que também se tornou um marco para a discussão sobre a igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres.
No universo de “Mulherzinhas”, publicado originalmente em 1868, Jo vive em uma sociedade na qual as possibilidades oferecidas às mulheres eram mais restritas e o casamento ocupava um papel importante nas expectativas sociais.
Em meio a esse cenário, ela deseja trabalhar, escrever e conquistar independência. Pensando nisso, a repórter Isabella Oliva, do portal Hoje Diário, explica por que Jo March continua sendo uma personagem tão atual e como sua história se relaciona com a busca pela igualdade feminina.

Quem é Jo March?

Jo March é uma das quatro irmãs protagonistas de “Mulherzinhas”, ao lado de Meg, Beth e Amy. O livro de Louisa May Alcott foi publicado pela primeira vez em 1868 e é inspirado, em parte, nas experiências da própria autora ao lado das três irmãs. A obra fez sucesso desde sua publicação e ganhou diferentes adaptações ao longo dos anos.

Entre as irmãs, Jo se destaca pelo comportamento independente e pelo interesse pela escrita. Ela deseja transformar sua produção literária em uma profissão e construir uma vida baseada nas próprias escolhas.

Essa postura ganha importância quando considerada dentro do contexto histórico da narrativa. No século XIX, as mulheres enfrentavam limitações em diferentes áreas da vida social e tinham menos oportunidades de participação política, acesso à educação e atuação profissional. O casamento e a vida doméstica também ocupavam um espaço central nas expectativas direcionadas às mulheres.
É justamente contra esse modelo que Jo se posiciona. Em vez de enxergar o casamento como seu principal objetivo, ela deseja trabalhar e se tornar escritora.

Jo e Laurie

A independência da personagem também aparece em sua relação com Theodore Laurence, o Laurie, seu amigo e vizinho. Quando Laurie se declara para Jo, ela rejeita o pedido por acreditar que os dois não seriam felizes juntos. A decisão representa um dos momentos mais importantes da trajetória da personagem, já que Jo não aceita o casamento simplesmente por ser uma possibilidade esperada para uma mulher.

Na história, porém, a questão não é afirmar que o casamento seja uma escolha ruim. As próprias irmãs de Jo seguem caminhos diferentes. Meg deseja se casar e construir uma família, enquanto Amy busca uma carreira artística e também deseja uma vida confortável.
A diferença está justamente na possibilidade de escolher.

A trajetória das irmãs mostra que não existe apenas uma maneira de construir a vida de uma mulher. Para Jo, essa liberdade significa poder escrever, trabalhar e decidir seu próprio futuro.

Mais de um século depois, Jo March continua sendo lembrada por uma razão simples: ela queria ter o direito de decidir quem seria. É justamente essa busca por autonomia, ambição e liberdade de escolha que faz de “Mulherzinhas” uma história que ainda encontra espaço nas discussões sobre igualdade feminina nos dias de hoje.

Assista ao vídeo.

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