Nunca se falou tanto em suplementação. Magnésio para dormir, vitamina D para aumentar a imunidade, vitamina B12 para ter mais disposição, ômega-3 para proteger o coração, ferro para combater o cansaço. Nas redes sociais, muitas vezes fica a impressão de que todo mundo precisa tomar alguma coisa. Mas será que precisa mesmo?
A resposta é não. Suplemento não é sinônimo de saúde e, principalmente, não é isento de riscos.
Vitaminas e minerais são fundamentais para o funcionamento do nosso organismo. O problema começa quando uma pessoa que não apresenta deficiência passa a consumir doses elevadas acreditando que “quanto mais, melhor”. Nosso corpo não funciona dessa maneira.
Algumas vitaminas, principalmente as lipossolúveis, como A, D, E e K, podem se acumular no organismo. O excesso de vitamina D, por exemplo, pode provocar aumento do cálcio no sangue e, em situações mais graves, lesão renal. O excesso de vitamina A também pode causar toxicidade, incluindo alterações hepáticas.
Até suplementos aparentemente simples merecem atenção. Ferro sem indicação pode causar efeitos adversos e se acumular no organismo em determinadas situações. Magnésio em excesso pode provocar diarreia e, principalmente em pessoas com insuficiência renal, trazer complicações mais importantes.
Outro problema é acreditar que suplementos conseguem compensar hábitos ruins. Nenhuma cápsula substitui alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle do peso, abandono do cigarro e acompanhamento médico.
Também não existe um suplemento universal para “aumentar a imunidade”. Nosso sistema imunológico é extremamente complexo e não funciona como uma bateria que podemos simplesmente carregar tomando vitaminas.
Isso não significa que suplementação seja ruim. Pelo contrário: quando existe indicação, ela pode ser extremamente importante. Pessoas com deficiência documentada, gestantes, pacientes submetidos a determinadas cirurgias, idosos e indivíduos com algumas doenças ou restrições alimentares podem precisar de reposição específica.
A diferença está justamente aí: suplementar uma necessidade é diferente de consumir por moda.
Antes de começar uma vitamina ou suplemento porque alguém recomendou na internet, vale fazer três perguntas: eu realmente tenho deficiência? Existe benefício comprovado para o que estou buscando? Essa dose é segura para mim?
Na medicina, uma das regras mais importantes continua atual: aquilo que pode produzir benefício também pode produzir efeitos adversos quando utilizado de maneira inadequada.
Cuidar da saúde não significa tomar mais medicamentos, vitaminas ou suplementos. Muitas vezes, cuidar da saúde significa justamente não tomar aquilo de que você não precisa.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




