No dia 4 de outubro, milhões de brasileiros estarão diante da urna para escolher deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República. Serão seis escolhas.
E eu quero começar esta coluna com uma pergunta muito simples: você sabe exatamente o que está escolhendo?
Não estou perguntando se já tem candidato. Estou perguntando se você sabe o que aquela pessoa poderá fazer caso seja eleita. Pode parecer uma pergunta óbvia, mas talvez não seja.
A gente passa meses discutindo nomes, partidos, pesquisas, quem está na frente, quem está atrás, quem apoia quem. Recebe vídeos no WhatsApp, vê candidatos nas redes sociais, conversa com amigos, familiares e colegas de trabalho. Mas quanto tempo gastamos tentando entender o cargo para o qual aquela pessoa está pedindo o nosso voto?
Você sabe, por exemplo, o que faz um deputado estadual e o que pode cobrar dele? E de um deputado federal?
Neste ano, vamos escolher dois senadores. Dois. E cada um deles terá um mandato de oito anos. Oito anos. Pense no que mudou na sua vida nos últimos oito anos. É muito tempo para entregar um mandato a alguém sem saber exatamente o que essa pessoa fará com ele.
E não estou dizendo que o eleitor precisa virar especialista em política para votar. Não precisa. Mas precisa saber minimamente o que está escolhendo. Porque depois da eleição vem a cobrança. E como vamos cobrar de alguém aquilo que nem sequer sabemos se faz parte de suas responsabilidades?
Talvez esse seja um dos problemas da nossa relação com a política. A gente cobra do prefeito o que cabe ao governo do estado. Cobra do governador aquilo que depende do governo federal. Espera de deputado uma função que não é dele.
E tem algo ainda mais básico: muita gente chega à eleição seguinte sem lembrar em quem votou quatro anos antes.
Então, antes de falar sobre os candidatos, eu quero falar sobre nós, eleitores. Porque é muito fácil colocar toda a responsabilidade em quem está pedindo voto. Quem é eleito tem, sim, uma responsabilidade enorme. Mas quem escolhe também tem.
E a nossa não começa no dia 4 de outubro. Começa agora.
Começa quando a gente decide conhecer um pouco mais sobre quem está pedindo nosso voto. Quando pesquisa a trajetória, olha as propostas e tenta descobrir se aquilo que está sendo prometido pode realmente ser feito por quem ocupa aquele cargo.
Se o candidato já tem mandato, vale olhar o que fez. Como votou. O que defendeu. O que apresentou. E não apenas aquilo que ele próprio escolheu mostrar nas redes sociais.
Não existe candidato perfeito. Também não acredito nessa ideia de que todo mundo que entra para a política é igual. Cabe a cada eleitor fazer sua escolha. Mas que seja uma escolha consciente.
Neste ano, além de deputados estaduais e federais, governador e presidente, cada eleitor escolherá dois senadores. Em todo o país, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado. Estamos falando de pessoas que participarão de decisões importantes durante anos.
E é justamente por isso que quero fazer algo diferente nas próximas semanas. A partir de hoje, vou usar este espaço aos domingos para falar sobre cada um dos cargos que estarão em disputa nas Eleições 2026.
Sem falar em nomes. Sem dizer em quem votar. Quero falar sobre o que cada um faz e, principalmente, sobre o que nós podemos e devemos cobrar depois que a eleição passar.
Vamos começar pelos deputados estaduais. Depois, deputados federais, senadores, governador e presidente.
Porque a campanha passa. A propaganda termina. A eleição acaba. O mandato fica.
E é durante o mandato que aquela escolha feita em poucos segundos diante da urna começa, de verdade, a fazer parte da nossa vida.
Até outubro, vamos ouvir muitas promessas. Algumas serão possíveis. Outras provavelmente nem terão relação com o cargo que aquele candidato pretende ocupar.
Por isso, antes de perguntar “em quem eu vou votar?”, talvez valha fazer outra pergunta: “Eu sei para que estou votando?”
Temos todo o direito de reclamar depois. Temos o direito e o dever de cobrar. Mas também precisamos assumir a nossa parte nessa história.
Escolher com responsabilidade vem antes.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




