Há palavras que têm uma vida muito mais agitada do que aquilo que representam. “Banana” é uma delas. Se alguém não toma uma decisão, é um banana. Se alguma coisa está muito barata, está a preço de banana. Se queremos demonstrar desprezo, existe até o pouco elegante gesto de “dar uma banana”. E assim seguimos, usando o nome da pobre fruta nas mais variadas situações, quase nunca muito honrosas.
O curioso é que a banana, propriamente dita, não tem nada de insignificante. Vamos lá: é uma fruta discreta, barata quando comparada a muitas outras frutas, fácil de descascar e sem exigir faca, prato ou qualquer cerimônia, ela talvez seja um dos alimentos mais democráticos que existem. A natureza, aliás, foi bastante prática: entregou a banana em embalagem individual, biodegradável e com abertura relativamente fácil, inclusive eu acho que algumas embalagens industriais deveriam aprender com ela.
E dentro daquela casca existe um alimento delicioso. Falando do seu potencial nutricional, a banana fornece carboidratos, fibras e micronutrientes, entre eles o potássio – aquele que acaba com as câimbras, e vitamina B6. Por isso, pode contribuir para uma alimentação equilibrada e é uma maneira simples de obter energia. Talvez seja hora de rever a expressão “ser um banana”: afinal, energia é justamente o que não falta à fruta.
No Brasil, falar em banana no singular é até uma injustiça. Temos banana-nanica, prata, maçã, ouro, da-terra e tantas variedades cultivadas em diferentes regiões. Mudam o tamanho, a textura, o aroma, a doçura e até a melhor maneira de prepará-las. Afinal nós não nos contentamos em simplesmente descascar e comer uma banana. Nós assamos banana. Fritamos banana. Cozinhamos banana. Fazemos doce, compota, bolo, torta, farofa, bananada e banana caramelizada. Colocamos canela, açúcar, queijo e, dependendo da região e da criatividade do cozinheiro, inventamos mais alguma coisa. A banana-da-terra, então, atravessa tranquilamente a fronteira entre o doce e o salgado, acompanhando refeições e mostrando que não pretende ficar confinada à fruteira.
E existe ainda uma dimensão afetiva. Quem nunca encontrou uma banana dentro da lancheira? E aquela que vai amadurecendo depressa demais e a gente ouve: “Precisamos fazer alguma coisa com essas bananas”? É nesse momento que frequentemente nasce um bolo. A banana muito madura, que parecia destinada ao desperdício, transforma-se em sobremesa.
A banana também acompanha a história da alimentação brasileira e está profundamente integrada ao cotidiano do país. Está nas feiras, nos mercados, nas pequenas propriedades rurais, nas mesas das famílias e em inúmeras receitas regionais.
Ah, sim, não podemos esquecer dos macacos… quem nunca comeu uma banana e pensou nos macacos? Eu penso que antes de alguém chamar outra pessoa de “banana”, talvez seja necessário pensar bem. Se for para xingar, deve-se lembrar de que a banana nunca deve ser xingamento.
Ou seja, ser banana é ser muito importante!!!
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




