Nesta semana, o caso de uma menina de 5 anos, em Franca, que contou à mãe ter sido vítima de abuso sexual, nos coloca diante de uma reflexão que vai muito além da violência que chocou o país. Antes de qualquer reação, houve uma atitude fundamental. Uma mãe acreditou na própria filha.
A menina contou o que havia acontecido e repetiu a frase que o suspeito teria dito para que ela guardasse segredo, “não conta pra sua mãe”. A mãe acreditou, procurou atendimento médico e denunciou o caso às autoridades. É isso que precisamos reforçar. Quando uma criança conta, o adulto precisa ouvir e agir.
Infelizmente, muitas crianças ainda são desacreditadas, tratadas como confusas ou imaginativas e, em alguns casos, obrigadas a permanecer próximas de quem pode tê-las machucado para que a família não seja “dividida”. O abuso não é sustentado apenas pelo silêncio da criança. Ele também pode ser protegido pelo silêncio dos adultos.
Por isso, precisamos ensinar nossas crianças que elas podem falar e garantir que, quando falarem, serão acolhidas. A frase “não conta para sua mãe” não é uma brincadeira.
Se uma criança contar algo que indique possível abuso, acredite, acolha, procure atendimento especializado e denuncie. O Disque 100 está disponível para denúncias de violações de direitos humanos, e a escuta especializada existe para proteger a criança e evitar que ela precise reviver a violência repetidamente.
Nenhuma mãe deveria precisar reagir com violência para que a palavra de sua filha seja levada a sério. O que toda criança precisa é de adultos dispostos a ouvir, proteger e agir. Acreditar em uma criança pode ser o primeiro passo para salvá-la!
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).





