A mulher de 42 anos que inicialmente acusou o marido, o médico Mituro Hattori Júnior, de 52, de ter colocado fogo nela em Mogi das Cruzes apresentou uma nova versão sobre o episódio. Em vídeo divulgado pelo advogado dela, Dr. José Beraldo, através de suas redes sociais, ela afirma que ateou fogo no próprio corpo durante uma confusão mental. Após a retratação ser incluída no processo, a Justiça revogou a prisão preventiva do médico, que foi solto neste sábado (29).
Mituro, muito atuante em Mogi das Cruzes, Suzano e região, havia sido preso em flagrante por violência doméstica depois da ocorrência registrada em 9 de agosto. Na primeira versão apresentada à polícia, a esposa relatou que o médico teria jogado álcool sobre o corpo dela e ateado fogo após uma discussão.
Desde então, o relato da mulher passou por mudanças. Depois da acusação inicial, ela declarou em cartório que as queimaduras teriam sido resultado de um acidente doméstico. Na quinta-feira (27), apresentou outra versão, desta vez dizendo que ela própria provocou o fogo enquanto enfrentava uma confusão mental.
O vídeo com a retratação foi anexado ao processo. A 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes também analisou um pedido feito pela mulher e decidiu revogar tanto a prisão preventiva de Mituro quanto as medidas protetivas.
O alvará determinou que o médico fosse colocado imediatamente em liberdade, caso não houvesse outro motivo para mantê-lo preso. Segundo a defesa, Mituro agora responde ao processo em liberdade provisória e precisa cumprir medidas cautelares.
O advogado Vinicius Rodrigues Siqueira Santos, responsável pela defesa do médico, informou que o alvará de soltura foi concedido na última sexta-feira (28). Ele afirmou que pretende demonstrar a inocência de Mituro ao longo do processo.
Uma audiência está marcada para 24 de novembro de 2026, no Fórum da Comarca de Mogi das Cruzes. A defesa ressalta que o médico não tem condenação definitiva e sustenta que as provas e as diferentes versões relacionadas ao episódio deverão ser examinadas durante a instrução processual.
O caso.
O caso teve início na madrugada de 9 de agosto. Uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) fazia patrulhamento quando foi abordada por um homem que trabalhava em um condomínio no bairro Parque Monte Líbano. Ele contou aos agentes que havia ocorrido uma discussão entre um casal no local.
Os guardas encontraram a mulher deixando o condomínio com queimaduras pelo corpo. Ela contou inicialmente à polícia que havia discutido com o marido e pedido a senha de desbloqueio do celular dele.
Naquela primeira versão, Mituro teria se recusado a fornecer o código. Em seguida, ainda conforme o relato registrado na ocasião, ele teria jogado álcool sobre a esposa e ateado fogo nela.
O Boletim de Ocorrência (B.O.) aponta que a mulher, ao saber que o marido seria levado para a delegacia, disse que não queria registrar a ocorrência porque não desejava que ele fosse preso.
Mituro também prestou depoimento. À polícia, afirmou que o relacionamento do casal era conturbado havia aproximadamente três anos. Segundo a versão dele, estava dormindo quando foi acordado pela esposa por volta das 3h naquela madrugada.
O médico relatou que ela estava incomodada porque ele havia esquecido o aniversário dela e não tinha comprado um presente.
Com queimaduras pelo corpo, a mulher foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada a um hospital particular da cidade. O episódio foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Mogi das Cruzes como tentativa de homicídio e violência doméstica. A prisão em flagrante de Mituro acabou convertida posteriormente em preventiva, medida que agora foi revogada pela Justiça.
Na manifestação divulgada após a soltura, a defesa de Mituro afirmou que a liberdade provisória foi concedida dentro dos parâmetros do processo e que o médico deverá cumprir as cautelares determinadas judicialmente. O advogado também defendeu que não haja atribuição de responsabilidade definitiva antes da análise das provas e das versões apresentadas nos autos.




