“Alimentação e exercício podem realmente evitar o câncer?”, por Doutor Jorge Abissamra Filho

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Quando falamos em prevenção do câncer, muita gente pensa primeiro em exames: mamografia, colonoscopia, Papanicolau, tomografia. Eles são fundamentais, mas existe uma parte da prevenção que começa muito antes de qualquer exame: a maneira como vivemos todos os dias.

A pergunta é simples: comer bem e praticar atividade física realmente diminuem a chance de desenvolver câncer?

Sim. E provavelmente mais do que muita gente imagina.

Hoje sabemos que uma parcela importante dos casos de câncer está relacionada a fatores modificáveis. Estimativas internacionais apontam que aproximadamente 40% dos casos poderiam ser prevenidos por meio do controle de diferentes fatores de risco.

Isso não significa que 40% dos cânceres sejam causados apenas pela alimentação ou pela falta de exercício. Tabagismo, álcool, obesidade, algumas infecções, exposição excessiva ao sol e outros fatores também entram nessa conta.

Mas alimentação, peso corporal e atividade física ocupam um espaço importante nessa prevenção.

A atividade física regular está associada à redução do risco de alguns dos tumores mais frequentes. As evidências são particularmente fortes para câncer de cólon, câncer de mama e câncer de endométrio.

E o exercício não atua apenas fazendo alguém emagrecer.

A atividade física melhora a sensibilidade à insulina, interfere em mecanismos hormonais, reduz inflamação crônica e ajuda no controle da gordura corporal. Todos esses processos estão relacionados ao desenvolvimento de determinados tumores.

O peso também importa.

Hoje sabemos que o excesso de gordura corporal está relacionado a pelo menos 13 tipos diferentes de câncer. Por isso, manter um peso saudável durante a vida não deve ser encarado apenas como uma questão estética. É uma estratégia de prevenção.

E onde entra a alimentação?

Não existe alimento milagroso capaz de impedir o câncer. Da mesma forma, dificilmente um alimento isolado será responsável pelo aparecimento da doença.

O que importa é o padrão alimentar mantido durante anos.

Uma alimentação predominantemente baseada em verduras, legumes, frutas, feijão e outras leguminosas, cereais integrais e alimentos ricos em fibras está associada a melhores desfechos de saúde. Em sentido contrário, devemos limitar carnes processadas, alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e o consumo excessivo de carne vermelha.

Existe ainda um ponto que muitas vezes é esquecido quando se fala em alimentação saudável: o álcool.

Para prevenção do câncer, quanto menos álcool, melhor. Não existe uma bebida alcoólica “protetora” contra o câncer simplesmente porque contém determinada substância ou porque é consumida socialmente.

Mas quanto exercício precisamos fazer?

Para a maioria dos adultos, uma boa referência é atingir pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de reduzir o tempo que passamos sentados.

Isso significa que não é necessário tornar-se atleta.

Uma caminhada rápida de 30 minutos em cinco dias da semana já coloca uma pessoa dentro da recomendação mínima. Subir escadas, caminhar mais, praticar esportes e trocar parte do tempo sentado por movimento também contam.

É importante deixar outra coisa muito clara: uma pessoa pode fazer tudo certo e ainda assim desenvolver câncer.

Câncer é uma doença complexa. Genética, envelhecimento, exposições ambientais e simplesmente alterações celulares que acumulamos ao longo da vida também participam desse processo. Estilo de vida reduz risco; não oferece garantia.

Por isso, prevenção não pode virar culpa.

A mensagem deve ser justamente a oposta: existem fatores que não conseguimos controlar, mas existem outros sobre os quais podemos agir.

Não fumar, manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente, ter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de álcool, proteger-se do sol e manter vacinação e exames preventivos em dia constituem uma das estratégias mais poderosas que temos contra o câncer.

Passamos muito tempo procurando uma fórmula para prevenir essa doença.

Talvez parte dela já esteja diante de nós.

Comer melhor. Mover-se mais. Manter um peso saudável. E fazer disso um hábito para a vida inteira.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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