“O novo Brasil: juros altos, empresas endividadas e a Reforma Tributária no horizonte”, por Robinson Guedes

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O Brasil está entrando em uma nova fase econômica. Famílias endividadas, empresas endividadas, governos pressionados e o crédito cada vez mais caro. Os números mostram que não estamos diante de um problema isolado. Em junho, o Brasil chegou a 83 milhões de consumidores inadimplentes, o equivalente a 51% da população adulta brasileira. O endividamento das famílias também chegou a 49,8%, segundo os dados mais recentes do Banco Central. Do outro lado dessa equação estão as empresas. No início deste ano, já eram 8,7 milhões de CNPJs negativados e outro dado chama atenção: o crescimento da participação das microempresas nos processos de recuperação judicial. Segundo matéria do Valor Econômico, entre 2023 e 2026, a proporção de microempresas em recuperação judicial mais que dobrou e, somente no primeiro semestre deste ano, a média aumentou 31%.

Existe ainda um ingrediente que torna esse cenário ainda mais preocupante: os juros. Com a Selic em 14% ao ano, o dinheiro continua caro para quem precisa financiar a operação. O capital de giro fica mais caro, a antecipação de recebíveis fica mais cara, o financiamento fica mais caro, o cartão de crédito fica mais caro e até mesmo a renegociação de dívidas se torna mais pesada. E começa então um efeito dominó na economia. Famílias endividadas consomem menos, empresas vendem menos ou enfrentam dificuldades para receber, com menos caixa recorrem ao crédito e, com juros elevados, a dívida cresce. Com a dívida crescendo, aumenta a inadimplência e algumas empresas chegam ao último estágio, que é a recuperação judicial.


Nesse cenário, o empresário precisa mudar a forma como olha para o próprio negócio. Não basta mais perguntar quanto a empresa está faturando. A pergunta precisa ser quanto realmente sobra no caixa depois de impostos, juros, dívidas, custos e despesas. Uma empresa pode ter um faturamento elevado, vender todos os meses e ainda assim estar caminhando para uma crise financeira. Faturamento não significa necessariamente geração de caixa e crescimento de vendas não significa necessariamente saúde financeira.


E existe um fator que torna esse momento ainda mais importante: estamos vivendo essa pressão econômica antes de entrarmos na fase mais pesada da Reforma Tributária. O empresário brasileiro não pode olhar para 2026 apenas pensando no faturamento. É preciso entender como a nova estrutura tributária poderá impactar preços, margens, custos, fluxo de caixa e a própria operação da empresa. A Reforma Tributária não é apenas uma mudança na forma de calcular impostos. Ela exige uma revisão da estratégia empresarial e uma preparação antecipada para as novas regras que começam a ganhar cada vez mais peso no planejamento dos negócios.


Por isso, caixa, margem, endividamento e planejamento tributário deixam de ser assuntos tratados separadamente e passam a fazer parte da estratégia da empresa. O empresário precisa conhecer os próprios números, entender quanto realmente custa sua operação, saber qual é sua margem, controlar o fluxo de caixa, avaliar o custo das dívidas e se preparar para os impactos da Reforma Tributária. Porque uma empresa não quebra necessariamente por falta de vendas. Muitas vezes, ela quebra por falta de caixa.


O novo Brasil exige mais planejamento, mais controle e mais conhecimento sobre o próprio negócio. Famílias pressionadas, empresas pressionadas, governos pressionados, juros elevados, crédito caro e uma das maiores reformas tributárias das últimas décadas acontecendo ao mesmo tempo. 2027 pode parecer distante, mas as decisões que vão determinar a saúde financeira das empresas em 2027 precisam começar agora. A pergunta que todo empresário deveria fazer é simples: sua empresa está preparada para enfrentar o novo Brasil dos negócios?

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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