Está em dúvida neste segundo turno das eleições? Aprenda a avaliar as propostas por conta própria

PUBLICIDADE

A escolha entre os dois candidatos que disputam o segundo turno para a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, não pode ser baseada apenas em cortes de vídeos vistos nas redes sociais.
É importante tirar suas próprias conclusões para decidir seu voto e usar outras plataformas apenas como complemento. A melhor maneira de fazer essa escolha é partir da própria realidade e comparar suas prioridades com os planos de governo dos candidatos.

Como faço isso?

Comece pensando nos problemas que mais pesam no seu dia a dia.
O que mais afeta sua rotina hoje? O transporte público? O preço dos alimentos? Emprego e salário? Saúde? Segurança? Educação? Moradia? Impostos? Aposentadoria?
A partir daí, é possível transformar essas preocupações em temas de pesquisa e verificar o que cada candidato propõe para essas áreas.

Por exemplo, quem enfrenta dificuldades diariamente com ônibus ou trens pode pesquisar as propostas relacionadas à mobilidade urbana. Quem está preocupado com o atendimento médico pode comparar as medidas previstas para a saúde. Já quem está buscando emprego ou enfrenta problemas relacionados à renda pode analisar as propostas econômicas e trabalhistas.

Cada pessoa deve estabelecer suas próprias prioridades. O importante é saber o que os candidatos efetivamente propõem para os problemas que mais impactam sua vida.

Planos de governo estão disponíveis para consulta

Depois de definir quais assuntos deseja comparar, o próximo passo é consultar os planos de governo apresentados oficialmente pelas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os documentos dos candidatos à Presidência estão disponíveis para consulta no site da Justiça Eleitoral, permitindo que o eleitor conheça as propostas apresentadas pelas próprias campanhas.
Consulte os planos de governo dos candidatos no site do TSE https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/propostas-de-governo-dos-candidatos-ao-cargo-de-presidente-da-republica-eleicoes-2026.

A leitura não precisa começar pela primeira página nem ser feita de uma vez. O eleitor pode procurar, dentro dos documentos, os temas que definiu como prioritários e comparar o que cada candidatura apresenta.
Além de descobrir o que está sendo prometido, vale observar se há uma explicação sobre como a medida seria colocada em prática, quem seria beneficiado, quais recursos seriam necessários e se existe algum prazo previsto.

Uma promessa genérica e uma proposta acompanhada de medidas concretas não são necessariamente a mesma coisa. Por isso, observar os detalhes pode ajudar a fazer uma comparação mais cuidadosa.

Cuidado com o voto baseado apenas em vídeos das redes sociais

Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas podem ser úteis para conhecer declarações e descobrir temas discutidos durante a campanha. O problema é transformar um vídeo curto na única fonte de informação para decidir o voto.
Um corte pode retirar uma fala do contexto, apresentar apenas alguns segundos de uma entrevista ou destacar uma frase sem mostrar o que foi dito antes ou depois.

Por isso, ao encontrar uma declaração ou proposta nas redes, vale procurar a fala completa, o documento original ou outra fonte confiável que permita verificar o contexto.
Isso também ajuda a diferenciar uma promessa feita durante um discurso de uma medida que realmente aparece no plano de governo da candidatura.

Inteligência artificial pode ajudar na leitura, mas não deve decidir o voto

Planos de governo podem ser extensos e usar termos técnicos que dificultam a compreensão. Nesse caso, a inteligência artificial pode ser utilizada como ferramenta auxiliar para tornar um trecho mais fácil de entender.
O cuidado está em não transformar a ferramenta em uma espécie de “intérprete político”. A IA pode explicar uma expressão ou simplificar um texto, mas não deve inventar informações, atribuir intenções ao candidato ou dizer ao eleitor se determinada proposta é boa ou ruim.

Uma possibilidade é copiar um trecho do plano de governo e usar um comando (prompt) como este antes de inserir a proposta:

“Vou colar abaixo um trecho de um plano de governo. Simplifique o texto para uma linguagem que uma pessoa sem conhecimento técnico consiga entender. Não acrescente nenhuma informação que não esteja no trecho. Não faça inferências sobre a intenção do candidato. Não dê opinião, não diga se a proposta é boa ou ruim e não compare com outros candidatos. Não corrija, complemente ou contradiga o conteúdo. Apenas explique, em palavras mais simples, o que está escrito no texto fornecido. Se houver algum termo técnico, explique seu significado de forma neutra. Se o trecho não for suficiente para entender alguma coisa, diga apenas que a informação não está especificada no texto. Ao final, liste apenas as ações, medidas, objetivos ou compromissos que aparecem explicitamente no trecho.”

Mesmo com esse recurso, o documento oficial continua sendo a fonte principal. A tecnologia pode facilitar a compreensão, mas não substitui a conferência da informação original.

Cinco perguntas para fazer antes de confirmar o voto

Antes de escolher um candidato, vale fazer cinco perguntas: o que ele promete fazer? Como pretende colocar a medida em prática? Há alguma informação sobre custos e recursos? Essa proposta tem relação direta com os problemas que mais afetam minha vida? Minha opinião foi formada a partir da proposta completa ou apenas de um conteúdo que apareceu nas redes sociais?

Não é necessário dominar todos os assuntos da administração pública para votar de maneira informada. O mais importante é identificar aquilo que tem peso na própria realidade, consultar o que os candidatos propõem, conferir as informações na fonte original e comparar as alternativas disponíveis.
Assim, a decisão deixa de depender apenas do conteúdo que apareceu no feed e passa a ser baseada também nas propostas que cada candidato apresentou oficialmente.

Lembrando: quem não votou no primeiro turno ainda pode votar no segundo

Quem não conseguiu votar no primeiro turno das eleições de 2026 ainda pode participar do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A ausência em uma das etapas não impede automaticamente a participação na outra, desde que o título de eleitor esteja em situação regular.
A Justiça Eleitoral considera cada turno uma eleição independente. Por isso, mesmo quem não compareceu às urnas em 4 de outubro poderá votar normalmente no segundo turno, desde que não esteja com o título cancelado ou suspenso.

Mas atenção: o voto no segundo turno não apaga automaticamente a ausência registrada na primeira votação, que deve ser justificada separadamente.
Para quem faltou ao primeiro turno, o prazo para apresentar a justificativa nas eleições de 2026 termina em 3 de dezembro. Já quem não votar no segundo turno terá até 8 de janeiro de 2027 para justificar a ausência.

A justificativa pode ser feita pelo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral, conhecido como Título Net, ou presencialmente em um cartório eleitoral. Quando o pedido é feito depois da eleição, é necessário informar o motivo da ausência e apresentar documentos que comprovem a justificativa. A solicitação será analisada pela Justiça Eleitoral.
A ausência sem justificativa aceita gera um débito com a Justiça Eleitoral. Nesse caso, o eleitor precisa pagar a multa correspondente para regularizar a situação.

Enquanto houver a pendência, podem existir restrições previstas na legislação, como dificuldades para obter a certidão de quitação eleitoral e impedimentos relacionados a concursos públicos e determinados cargos públicos.

Assista ao vídeo.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE