Prevenir doenças não é sinal de fraqueza. É uma atitude que pode salvar vidas.
Com a chegada de novembro, mês dedicado à conscientização sobre a saúde masculina, precisamos discutir um problema que vai muito além do câncer de próstata: a dificuldade que muitos homens ainda têm de cuidar da própria saúde.
É comum encontrarmos homens que passam anos sem realizar uma consulta médica. Muitos procuram atendimento apenas quando apresentam dor, cansaço intenso ou algum sintoma que já interfere na rotina. O problema é que diversas doenças graves, como hipertensão, diabetes e alguns tipos de câncer, podem evoluir silenciosamente durante muito tempo.
A cultura de que o homem precisa ser forte, resistente e não demonstrar fragilidade contribui para esse comportamento. Entretanto, ignorar sintomas ou adiar consultas não significa ter mais saúde. Muitas vezes, significa perder a oportunidade de diagnosticar uma doença em sua fase inicial.
O câncer de próstata merece atenção, mas não é o único problema.
O câncer de próstata está entre os tumores mais frequentes na população masculina brasileira. A idade, o histórico familiar e determinados fatores genéticos influenciam o risco de desenvolver a doença.
Em seus estágios iniciais, o câncer de próstata geralmente não provoca sintomas. Quando aparecem dificuldades para urinar, sangue na urina ou dores ósseas, é necessário investigar suas causas, embora esses sinais não signifiquem necessariamente a presença de câncer.
É importante esclarecer que a realização de PSA e toque retal em homens sem sintomas deve ser discutida individualmente com o médico, considerando idade, fatores de risco, benefícios e possíveis consequências dos exames. Não existe uma recomendação universal de rastreamento para todos os homens.
Mas existe outro ponto que merece atenção: enquanto muitos homens se preocupam exclusivamente com a próstata, acabam negligenciando doenças cardiovasculares, obesidade, sedentarismo, tabagismo e alterações metabólicas, responsáveis por grande parte das mortes prematuras.
O estilo de vida influencia diretamente o risco de adoecer.
Atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso, sono adequado e abandono do tabagismo são medidas que reduzem o risco de diversas doenças crônicas.
O consumo excessivo de álcool também merece atenção, pois está associado a doenças hepáticas, cardiovasculares e diferentes tipos de câncer.
Outro problema frequente é a automedicação, especialmente o uso de testosterona e outros hormônios sem indicação clínica. Essas substâncias não devem ser utilizadas simplesmente para melhorar a disposição, aumentar a massa muscular ou combater o envelhecimento. Seu uso inadequado pode provocar consequências importantes para a saúde.
A prevenção precisa fazer parte da rotina.
Não existe uma bateria de exames que seja necessária para todos os homens. A avaliação preventiva deve considerar idade, antecedentes familiares, hábitos de vida e condições clínicas individuais.
Aferir a pressão arterial, avaliar fatores de risco cardiovascular, atualizar a vacinação e investigar sintomas persistentes são atitudes simples que podem fazer grande diferença.
Também precisamos falar sobre saúde mental. Depressão, ansiedade, esgotamento profissional e sofrimento emocional frequentemente são escondidos por homens que acreditam precisar enfrentar todos os problemas sozinhos.
Cuidar da saúde significa reconhecer que o corpo e a mente precisam de atenção.
Novembro Azul deve representar uma mudança de comportamento, e não apenas um mês de exames.
Mais importante do que procurar um médico durante uma campanha é compreender que o cuidado precisa acontecer durante todo o ano.
Como médico oncologista, acompanho diariamente as consequências de diagnósticos tardios. Muitas vezes, o que poderia ter sido identificado em uma fase mais favorável acaba sendo descoberto quando a doença já está avançada.
Por isso, minha mensagem é simples: não espere sentir dor para cuidar da saúde. Não considere normal conviver com sintomas persistentes e não tenha vergonha de procurar ajuda.
A verdadeira demonstração de força não está em suportar o sofrimento em silêncio, mas em assumir a responsabilidade pela própria saúde.
Afinal, cuidar de si mesmo também é uma forma de cuidar de quem você ama.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).





