Novembro Roxo destaca acompanhamento de bebês prematuros após alta hospitalar

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Bebês que nascem antes de 37 semanas de gestação precisam de acompanhamento especializado mesmo depois de deixar o hospital. O alerta é tema do Novembro Roxo, campanha que chama atenção para os cuidados com o crescimento, a alimentação e o desenvolvimento das crianças após a alta.
A edição deste ano, realizada em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e entidades ligadas à prematuridade, destaca a importância de manter a assistência além do período de internação neonatal. A diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Denise Suguitani, afirma que as famílias ainda precisam de orientação, acesso a especialistas e apoio para acompanhar as necessidades de cada criança.

Suguitani avalia que a discussão sobre prematuridade não deve se limitar à sobrevivência do recém-nascido. Ela também defende que a esperança seja tratada sem pressupor que todas as crianças terão os mesmos resultados ou transformar a prematuridade em uma trajetória obrigatória de superação. Para a diretora, o acompanhamento não elimina todos os riscos, mas ajuda a identificar necessidades e orientar decisões.

Dados da DRG Brasil, desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde, registraram 75.301 internações relacionadas ao nascimento de prematuros entre janeiro de 2022 e junho de 2026. Em 53,7% dos casos, houve necessidade de cuidados intensivos. A permanência hospitalar foi, em média, de 15,2 dias, mas chegou a 49,4 dias entre bebês nascidos antes de completar 28 semanas de gestação.
O levantamento também identificou ao menos 1.789 readmissões nos primeiros 30 dias de vida. Entre as condições associadas estavam icterícia, em 69,4% dos casos, problemas alimentares, em 9,8%, e doenças respiratórias.

Um estudo publicado em 2024 acompanhou 34 crianças prematuras em um programa híbrido de avaliação do desenvolvimento até os 12 meses de idade corrigida. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais. Dezoito crianças tiveram ao menos um resultado alterado nos testes, e aquelas que apresentaram determinados sinais de atraso foram encaminhadas para intervenção precoce.

A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), descreve a alta da UTI neonatal como um momento de sentimentos mistos para os pais: alívio pela saída do hospital e, ao mesmo tempo, receio diante dos cuidados que continuam em casa. Segundo ela, a criança prematura ainda está em formação e precisa de acompanhamento individualizado do crescimento, da alimentação, da respiração e do desenvolvimento neurológico.
A experiência de Alícia Vitória ilustra a continuidade desses cuidados. Hoje com nove anos, ela nasceu com 27 semanas no interior do Maranhão e permaneceu internada após o parto. Um teste do pezinho apontou suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que afeta a produção de determinados hormônios pelas glândulas adrenais e pode exigir tratamento contínuo.

A mãe, Patrícia Raquel Dantas Silveira, contou que não conhecia a condição e buscou informações por conta própria, após não conseguir acesso imediato a mais orientações pelo hospital. Para levar a filha aos atendimentos, precisava viajar mais de 250 quilômetros. Nos dois primeiros anos, as consultas eram mensais e incluíam avaliações e ajustes na medicação; conforme Alícia cresceu, os intervalos aumentaram. Ela também passou por acompanhamento pediátrico e oftalmológico e, posteriormente, precisou de cuidados especiais.

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