Queridos, chegamos ao penúltimo mês do ano. O tempo passa com uma rapidez impressionante, mas nem sempre a nossa vida interior acompanha a passagem dos dias. Mudam os meses, sucedem-se os anos e, muitas vezes, continuamos alimentando antigas feridas, ressentimentos e inquietações. O calendário avança, mas nem sempre avançamos com ele.
Por isso, é fundamental que, de tempos em tempos, tenhamos a coragem de olhar para dentro de nós, revisitar nossas escolhas, examinar nossos sentimentos e reconhecer aquilo que ainda nos aprisiona. Afinal, de pouco adianta começar um novo ano se continuamos interiormente presos às mesmas dores.
É nesse sentido que a oração se torna um verdadeiro caminho de libertação. Não uma oração alienada da realidade, indiferente aos nossos conflitos e sentimentos, mas uma oração que apresenta a Deus a inteireza da nossa existência: nossas fragilidades, desejos, esperanças e contradições. Rezar não é fugir da vida, mas permitir que a graça de Deus ilumine aquilo que ainda não conseguimos transformar.
Entretanto, a vida espiritual exige duas dimensões inseparáveis: a oração e a ação. A oração nos fortalece interiormente; a ação manifesta concretamente aquilo em que acreditamos. Não basta esperar que o bem aconteça. É necessário assumir a responsabilidade de realizá-lo.
Sabemos que a vida nem sempre corresponde às nossas expectativas. Nem tudo acontece como desejamos, quando desejamos ou da maneira que imaginamos. Mas é precisamente diante dessas limitações que a esperança revela sua grandeza.
A esperança não é a ingenuidade de acreditar que tudo será fácil. É a disposição interior de continuar acreditando no bem, mesmo quando as circunstâncias parecem contrariá-lo. É a força silenciosa que nos impede de transformar uma dificuldade passageira numa derrota definitiva.
A oração nos abre à graça, a esperança nos sustenta na caminhada e a ação transforma nossa fé em testemunho.
Que este penúltimo mês do ano não seja apenas mais uma etapa do calendário, mas uma oportunidade de libertação interior, amadurecimento espiritual e renovação das nossas atitudes.
Porque o tempo, por si só, não transforma o coração. É preciso permitir que Deus nos transforme e ter a coragem de colaborar com a sua graça.
Que não apenas os dias passem, mas que nós também avancemos, deixando para trás aquilo que nos aprisiona e cultivando aquilo que nos aproxima de Deus e dos nossos irmãos.
Deus vos abençoe!
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




