Em 1974, Raul Seixas lançou a célebre música “Prelúdio”, onde afirmou que “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Na luta contra as drogas, a recuperação é um sonho, que muitas vezes nasce de modo solitário no coração do dependente químico que encontra-se em situação limite com as drogas e procura caminhos de superação. Mas por circunstâncias diversas, tal sonho não se realiza diante das impossibilidades do usuário conseguir sozinho realizá-lo. Em muitos outros casos, esse sonho, quando sonhado junto, vivido junto e enfrentado junto, torna-se realidade. A partir dessa realidade, quero problematizar na coluna de hoje a necessidade do compromisso ético em defesa do sonho da recuperação.

A dependência química é uma doença, e como tal, precisa de acompanhamento médico, de auxílio de profissionais e deve ser enfrentada a partir de uma rede de apoio ao usuário e uma aliança de caminhada com seus iguais.

Mas essa é uma doença que tem um valor social. Diferentemente de outras doenças, a dependência química é vista sob lentes de diversos preconceitos e esse é um dos principais fatos que impedem os usuários de avançar no tratamento.

Não quero diminuir as responsabilidades dos usuários, mas em situações extremas da dependência, são vítimas de uma doença que dificilmente encontram forças para lutar, e aquele sonho da recuperação que está no íntimo do coração do usuário não encontra forças de virar realidade diante da pressão do preconceito social.

O sonho da recuperação, quando sonhado junto, tem possibilidades maiores de tornar-se realidade. Para tanto, é necessário e urgente que familiares e amigos acreditem na recuperação e na transformação, que consigam olhar para seu familiar em situação de dependência química com olhos de amor e compaixão e que encontrem forças para que juntos consigam alcançarem a realização do sonho da recuperação.

Diante das forças das drogas, muitos usuários sonham sozinhos a ruptura com dependência química, vivendo sozinhos os dilemas, conflitos e tensões do mundo das drogas e não encontram canais de diálogos para que manifestem o desejo de saída dessa realidade, mas quando, a partir de um compromisso ético com a vida, manifestamos amor e deixamos as portas abertas para o acolhimento e a chama acesa da esperança, podemos juntos embarcar nesse sonho.

E como Raul sinalizou: que “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Se você encontra-se na fronteira de tensão com as drogas ou tem algum familiar e/ou amigo nessa situação e quer encontrar forças para a ruptura com a dependência química, procure orientação de profissionais habilitados e de grupos de autoajuda, mas tenha certo de que assumo o compromisso de segurar em suas mãos para que juntos, sempre juntos, possamos transformar tal sonho em realidade.

Instagram: @felixromanos

(Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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