A iniciativa de escrever essa coluna semanal é resultado de um encorajamento de minha parte em traduzir em textos, reflexões sobre os dilemas das drogas no Brasil e os profundos impactos da dependência química na vida dos usuários e de seus respectivos familiares.

Essa coragem foi alimentada em mim, primeiramente, com o desafio de escrever um livro descrevendo histórias de superação com as drogas. O resultado foi muito maior e significativo do que pensei no primeiro momento, e na próxima terça (30/11) ocorrerá o lançamento do livro ‘Provas de Amor: histórias de esperança na luta contra as drogas’.

Já comentei em outras colunas sobre aspectos diversos da construção do livro, o método utilizado na produção do texto, a escolha dos personagens e o fio condutor para unir as histórias, mas, nessa coluna, diante do lançamento que se avizinha, quero manifestar minha gratidão.

Primeiramente, sou grato a Deus, pois, mesmo após 16 anos de uso compulsivo de drogas, a maioria deles no crack, viver por quase um ano na Cracolândia e ferir meus familiares e amigos, a infinita misericórdia de Deus me permitiu passar pelo vale e chegar até aqui.

Em nenhum momento eu achei que fosse possível sair das drogas, largar o crack e voltar a entregar sorrisos e alegria a mim e à minha família. Hoje, ao olhar para trás, não tem como eu justificar a ruptura com as drogas, sem considerar a ação de Deus em minha vida.

Portanto, caso você, ou algum de seus familiares ou conhecidos esteja em condição de dependência química, oferte amor, transmita esperança, procure ajuda de profissionais e grupos de autoajuda, mas saiba que as orações de um coração puro têm um poder revolucionário.

Agradeço a todos os meus familiares, meu pai e irmãos e principalmente a minha mãe, minha amada mãe. Nos momentos mais difíceis de minha compulsão por drogas, ela me amou e manifestou um amor exigente ao fechar as portas de casa para permitir que eu compreendesse a dimensão de meus atos, um amor exigente que rompe a codependência, um amor exigente que abraça, mas ensina, que afaga, mas direciona, que acolhe, mas condiciona.

Manifesto minha gratidão a Amanda Romanos, minha companheira, esposa, parceira e confidente. Seu amor incondicional me acolheu e me cobriu de tal modo que minhas fraquezas ganharam forças, minhas angústias foram ouvidas e a minha esperança foi abraçada.

Amanda me buscou nos lugares mais constrangedores, testemunhou episódios sombrios de minha dependência química e mesmo diante da compulsão, me ofertou abraços e amor. A ela, com ela e por ela eu dedico as minhas conquistas.

Agradeço também aos meus filhos, Vitória e Eros, pois eles traduzem a pureza do amor, o abraço puro, os sorrisos puros, os olhares puros e os sonhos puros. Encontrei forças nos olhos e nas vozes de cada um deles e para eles eu entrego a minha força em lutar.

Não posso deixar de agradecer todos os familiares e amigos que dedicaram tempo, entregaram fé e depositaram esperança em minha recuperação. Não quero correr o risco de deixar de citar algum deles e por coerência, englobo todos que foram determinantes em meu processo de ruptura com as drogas.

Agradecer é uma forma de se esvaziar, de reconhecer que sozinhos não somos nada e que a força das pessoas que acreditam em nossos sonhos e alimentam a nossa esperança é tão forte a ponto de determinar que larguemos o cachimbo, descartemos as pedras de crack, recusemos a carreira de pó ou um baseado de maconha.

Quero hoje, entregar aos meus leitores o meu coração purificado em orações e profunda gratidão, pois, na próxima terça, tornarei público o lançamento do meu primeiro livro, que somente foi possível com a ajuda, fé e orações de muitas pessoas.

Para a realização desse livro, não posso deixar de agradecer a Doutora Laura Fracasso por todo seu apoio e orientação, a Federação do Amor-Exigente, em nome do Miguel Tortorelli, e a todos os protagonistas envolvidos no livro que entregaram o maior patrimônio de cada um deles: suas histórias de perdas, choros e lamentações, mas coroadas de superação e amor. Por fim, quero especialmente, agradecer aquela que é a mãe de todos nós, Dona Laura Menezes. Muito Obrigado!

Não quero instrumentalizar o livro em uma ação individual ou conquista pessoal, mas meu intuito é transformar o rito simbólico do lançamento do livro em compromisso de minha luta com os meus iguais, com homens e mulheres que encontram-se em situação limítrofes com as drogas, pais e mães que em lágrimas e desespero acreditam não haver mais saídas; filhos e filhas que procuram a restauração da dignidade de seus pais e com todos aqueles que se encontram na fronteira de tensão com as drogas.

Esse é um artigo de gratidão, de entrega a uma causa e reconhecimento do poder do amor e como diz a música Ilusão: “Pra aqueles que querem desistir da vida, porque não esperam mais nada dela, talvez, seja ela, que espera algo de você”.

Obrigado.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do HojeDiário.com)

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