Em Suzano, no bairro Jardim Imperador, uma história de talento, superação e amor pela arte vem chamando a atenção de quem tem a oportunidade de conhecê-la de perto. Aos 28 anos, Gabriel Pettinatti, um artista autodidata, tem conquistado admiradores com seus desenhos hiper-realistas, capazes de transformar fotografias em obras de extrema precisão.
Mesmo enfrentando desafios desde o nascimento, como o albinismo e a visão limitada, ele desenvolveu uma técnica refinada, baseada na observação minuciosa e na sensibilidade artística. Em conversa exclusiva com o portal Hoje Diário, o artista compartilhou detalhes de uma trajetória marcada por persistência e apoio familiar. Foi dentro de casa que o talento começou a florescer, incentivado de perto por quem sempre acreditou em seu potencial, mesmo diante das dificuldades.
“Comecei a levar o desenho mais a sério há pouco tempo, pois percebi que ele poderia me trazer retorno e que era o que eu queria para a minha carreira profissional e artística”, contou Gabriel.
O artista explica que encontrou no hiper-realismo (veja imagens abaixo) não apenas uma técnica, mas um propósito. “O que me inspirou a seguir o caminho do hiper-realismo foram, primeiro, os artistas que me inspiram e, também, a ideia de trazer o real para o papel, os detalhes, o contraste e tudo isso que o realismo proporciona”, destacou.
Mesmo com limitações visuais, ele desenvolveu estratégias próprias para alcançar alto nível de precisão em seus trabalhos, sendo totalmente autodidata. “Uma das maiores dificuldades que tenho, por conta da visão, é precisar chegar muito perto para desenhar. Eu praticamente colo o nariz na folha para captar todos os detalhes. Ao longo dos anos, aprendi tudo sozinho, vendo vídeos no YouTube e alguns tutoriais. Desenvolvi uma técnica própria, reunindo tudo o que vi na internet e testando bastante ao longo do tempo”, afirmou.
Segundo Gabriel, a relação com a arte também transformou sua forma de enxergar a vida. “A arte me ensinou muito sobre paciência e persistência. Se você acredita no processo, o resultado vem, é inevitável”, disse.
Com objetivos bem definidos, Gabriel segue focado no futuro e dá conselhos aos jovens que queiram seguir os mesmos passos. “Tenho vários sonhos dentro da arte. Quero criar meu próprio curso de hiper-realismo e explorar outras técnicas, como pintura em tela e lápis de cor. Mas meu maior sonho é viver da arte. Então, não desista: com persistência, constância e determinação, seu momento vai chegar”, finalizou.
Para a mãe de Gabriel, Cristiane, a trajetória do filho é motivo de orgulho e inspiração. “Desde pequeno, Gabriel sempre foi paciente, mais quieto, e hoje entendo o quanto isso contribuiu para o desenvolvimento dele, tanto no desenho quanto na música. Ele se tornou um excelente guitarrista e um artista dedicado. Quando ainda era muito pequeno, ouvimos de um médico que ele enfrentaria muitas dificuldades por conta da baixa visão. Mas escolhemos acreditar no contrário: que ele seria capaz de superar cada obstáculo. Por volta dos 10 anos, seus desenhos já apresentavam um nível de detalhe impressionante, e decidimos colocá-lo em um curso básico de desenho. Ele permaneceu cerca de um ano, mas o professor percebeu que Gabriel tinha um perfil diferente, pois gostava de copiar imagens. Com o tempo, passou a estudar sozinho, e foi aí que começou a desenvolver seus desenhos realistas. Até hoje, cada novo trabalho parece superar o anterior. Como mãe, tenho um orgulho imenso da trajetória dele. Gabriel é a prova de que não existem limites quando há amor, apoio e determinação”, encerrou.






