A eliminação do Brasil da Copa do Mundo deixou milhões de brasileiros frustrados. Para alguns, “é apenas futebol”. Para outros, a sensação é de tristeza, irritação e até um vazio difícil de explicar. A boa notícia é que a ciência consegue explicar por que uma derrota esportiva pode realmente mexer com nossa saúde.
Quando torcemos intensamente, nosso cérebro passa a tratar aquele momento como algo pessoal. Criamos expectativa, nos identificamos com o time e compartilhamos emoções com milhões de pessoas ao mesmo tempo. Durante o jogo, há aumento da adrenalina, da dopamina e de outros neurotransmissores ligados à recompensa e à emoção. Quando o resultado esperado não acontece, ocorre uma queda brusca desse estímulo, favorecendo sentimentos de frustração, desânimo e irritabilidade. (Veja Saúde)
Esse fenômeno é conhecido por muitos psicólogos como “luto esportivo”. Embora não seja comparável à perda de uma pessoa querida, trata-se de uma resposta emocional legítima. Afinal, o futebol faz parte da identidade cultural brasileira e desperta memórias afetivas, encontros familiares e um forte sentimento de pertencimento. (Terra)
Em algumas pessoas, especialmente aquelas que já convivem com ansiedade, depressão ou estresse intenso, essa carga emocional pode se traduzir em sintomas físicos: dor de cabeça, insônia, aumento da pressão arterial, palpitações, tensão muscular e até piora de doenças cardiovasculares. O estresse agudo libera cortisol e adrenalina, hormônios que, em excesso, podem sobrecarregar o organismo. (Veja Saúde)
A derrota também traz uma reflexão importante. Assim como os atletas precisam lidar com a pressão, aprender com os erros e seguir em frente, nós também enfrentamos derrotas no trabalho, nos relacionamentos e na vida. A forma como reagimos a essas frustrações influencia diretamente nossa saúde física e mental.
Vale lembrar também dos próprios jogadores. Um atleta que perde um pênalti ou comete um erro decisivo frequentemente revive aquele lance inúmeras vezes na memória, um mecanismo conhecido como pensamento contrafactual, que aumenta o sofrimento emocional e pode afetar o desempenho futuro se não houver acompanhamento psicológico adequado. (CNN Brasil)
Torcer faz bem. Vibraremos novamente, comemoraremos novas vitórias e sofreremos novas derrotas. O importante é que o esporte continue ocupando o espaço que lhe pertence: o de proporcionar lazer, integração e emoção, sem comprometer nossa saúde ou nossos relacionamentos.
No fim das contas, a Copa termina. Mas cuidar da saúde física e mental é um campeonato que continua todos os dias.




