A treinadora suzanense Letícia de Paiva Nascimento, de 30 anos, conquistou um importante resultado para o esporte brasileiro ao integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira Masculina de Flag Football, campeã do Campeonato Sul-Americano de 2026. A competição foi realizada entre os dias 26 e 28 de junho, em Medellín, na Colômbia, reunindo as seleções do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela. Na grande decisão, o Brasil venceu o Chile por 28 a 26 e garantiu o título continental. A conquista evidencia o crescimento da modalidade, que fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Natural de Suzano, Letícia cresceu na cidade e atribui parte de sua trajetória esportiva às oportunidades que teve no município durante a infância e a adolescência. Atualmente, ela integra a comissão técnica da Seleção Brasileira e acumula sete anos de experiência na equipe nacional.
Em entrevista ao portal Hoje Diário, a treinadora contou que sua trajetória no flag football começou de forma inesperada.
“Minha carreira se iniciou com uma vaga de emprego publicada no Facebook para atuar como professora de uma escolinha de futebol americano e flag football”, disse.
De acordo com Letícia, o flag football é uma modalidade derivada do futebol americano que preserva fundamentos como passes, corridas e estratégias ofensivas e defensivas, mas substitui o contato físico intenso pela retirada de uma das fitas (“flags”) presas à cintura do jogador que está com a bola. Disputado por equipes de cinco atletas, o esporte não utiliza capacetes nem ombreiras, tornando as partidas mais dinâmicas, acessíveis e seguras.
Letícia iniciou a carreira como treinadora da modalidade em 2016 e, três anos depois, passou a integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira.
“Faço parte da Seleção Brasileira desde 2019. Trabalhei com a Seleção feminina e, atualmente, trabalho com a masculina”, disse.
Para conquistar o título sul-americano, a equipe passou por um longo período de preparação.
“Foram dois anos intensos de preparação, com training camps realizados no país e um período de treinamento no México para o desenvolvimento das nossas habilidades e o aprimoramento da equipe. Todos esses eventos foram financiados pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e gerenciados pela CBFA (Confederação Brasileira de Futebol Americano e Flag Football)”, disse.
Na decisão, o Brasil enfrentou a Seleção Chilena em uma partida equilibrada.
“Jogamos a final contra a Seleção do Chile. Foi um jogo muito acirrado, com reviravoltas no placar e disputado até o fim. O placar foi de 28 a 26 para o Brasil”, afirma.
Para Letícia, o título representa o reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido pela comissão técnica e pelos atletas.
“Conquistar o Campeonato Sul-Americano foi muito especial. É a coroação do trabalho de todo o grupo. Sou muito grata por ter sido campeã ao lado desses atletas e treinadores. Trabalhamos duro para construir cada conquista durante a competição”, contou.
Apesar da conquista internacional, a treinadora afirma que sua história no esporte começou em Suzano. Antes de iniciar a carreira como treinadora, ela praticava a modalidade ao lado de amigos que se reuniam para treinar no Parque Max Feffer, por volta de 2012. Além disso, durante o período em que estudou no SESI, participou de campeonatos internos de flag football disputados em quadras. Atualmente, Mogi das Cruzes conta com uma equipe da modalidade, que realiza treinamentos no Clube Náutico Mogiano.
Durante a infância e a adolescência, ela foi atleta de basquete da Prefeitura de Suzano e também participou do programa Atleta do Futuro, do SESI. Segundo ela, representar a cidade em uma competição internacional teve um significado especial.
“Quando conquistamos algo que desejávamos muito, a primeira lembrança que me veio à mente foi toda a caminhada e o fato de eu só ter tido essa oportunidade porque outros profissionais acreditaram no meu sonho”, explicou a treinadora.
A caminhada até chegar à Seleção Brasileira também foi marcada por desafios financeiros e pela necessidade de se afirmar profissionalmente.
“Toda a comissão técnica e os atletas arcavam com todos os custos das viagens internacionais, incluindo hotel, alimentação, passagens aéreas e até mesmo a taxa de inscrição da Seleção nos torneios, como o Mundial. Além disso, outra dificuldade que ainda persiste é a necessidade de reafirmar minha competência em um ambiente esportivo onde o machismo estrutural ainda existe. Apesar disso, trabalho com colegas treinadores e membros da equipe que sempre valorizam minha dedicação e meu trabalho”, disse.
O próximo desafio da treinadora já está definido. Entre os dias 13 e 16 de agosto, as seleções masculina e feminina disputarão o Campeonato Mundial de Flag Football, na Alemanha.
“Essa será a primeira oportunidade de conquistarmos nossa vaga para os Jogos Olímpicos, e meu principal papel é trabalhar no desenvolvimento dos atletas por meio de reuniões e de um training camp em São Paulo“, contou.
Com o esporte prestes a estrear no programa olímpico, Letícia acredita que a modalidade viverá um momento histórico.
“Enxergo esse momento como uma oportunidade de ouro para a modalidade mostrar ao mundo o quanto é divertido praticar o flag football, o quanto ele é inclusivo e como pode ser mágico desafiar o próprio corpo por meio desse esporte. Ver o mundo conhecendo os protagonistas dessa modalidade será extremamente especial”, explicou.
Além dos objetivos com a Seleção Brasileira, a treinadora também revelou quais são seus maiores sonhos na carreira.
“Um deles é levar a Seleção Brasileira ao pódio do Campeonato Mundial. O outro é conquistar o título nacional com minha equipe”, finalizou.





