O caso das duas meninas de 3 e 5 anos mortas pelo próprio pai, em São Paulo, no último domingo (Dia dos Pais), causa indignação e expõe uma forma especialmente cruel de violência. Segundo as investigações, o homem foi indiciado por vicaricídio duplo, termo utilizado para caracterizar situações em que filhos ou pessoas próximas são mortos com o objetivo de atingir e causar sofrimento a uma mulher, no caso, a mãe delas.
Não há justificativa para uma violência dessa natureza. Crianças inocentes foram privadas da vida em um ato que, além de irreparável para a família, evidencia como a violência de gênero pode ultrapassar a própria vítima e alcançar aqueles que ela mais ama.
O vicaricídio também chama atenção para uma realidade que precisa ser debatida com seriedade: em contextos de violência contra a mulher, os filhos podem ser utilizados como instrumento de controle, ameaça ou vingança. Por isso, identificar sinais de violência e fortalecer as redes de proteção e acolhimento é fundamental para evitar que situações de risco evoluam para tragédias.
Meu repúdio é absoluto a esse crime e a qualquer forma de violência contra crianças e mulheres. Não podemos naturalizar comportamentos abusivos, ameaças, perseguições ou atitudes de controle como se fossem conflitos comuns de uma relação.
Precisamos olhar para essa realidade com responsabilidade e entender que combater a violência contra a mulher também significa proteger seus filhos. O machismo, quando alimenta a ideia de posse, controle e superioridade sobre as mulheres, tem feito cada vez mais vítimas. Romper esse ciclo é uma responsabilidade de toda a sociedade.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




