“Governador: o resultado do governo chega à sua vida todos os dias”, por Neusa Freitas

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Você pode não acompanhar diariamente o que acontece no Palácio dos Bandeirantes. Talvez nem saiba o nome dos secretários estaduais ou acompanhe todas as decisões tomadas pelo governo. Mas o governo do Estado chega à sua vida todos os dias.

Está no trem que você pega para trabalhar, na escola estadual onde seu filho estuda, no atendimento de saúde, na rodovia que utiliza, no policiamento das ruas e em muitos outros serviços que fazem parte da rotina da população. Por isso, quando chegarmos ao voto para governador no próximo dia 4 de outubro, precisamos entender o tamanho da responsabilidade que estamos entregando a quem pretende governar São Paulo.

O governador é o chefe do Executivo estadual. Dirige a administração do Estado, escolhe seus secretários, sanciona ou veta projetos e participa diretamente da definição das prioridades e do orçamento. Governar significa fazer escolhas sobre onde investir, quais problemas enfrentar e como administrar recursos que terão impacto na vida de milhões de pessoas. É aí que a campanha precisa encontrar a vida real.

Na educação, não basta dizer que o ensino será prioridade. É preciso entender o que está sendo proposto para as escolas estaduais, para os professores, para a aprendizagem e para as condições oferecidas aos estudantes. Reformas, equipamentos e novos programas são importantes, mas a proposta precisa chegar à sala de aula. Afinal, o objetivo de uma política educacional não pode se perder no caminho entre o anúncio e o estudante.

Na saúde, as responsabilidades são divididas entre União, estados e municípios. Isso precisa ser considerado para que a cobrança seja dirigida a quem realmente cabe responder. Ainda assim, o governo estadual tem atribuições importantes na organização regional do SUS, nos serviços de maior complexidade, na vigilância e no apoio aos municípios. Quando um candidato fala em reduzir filas, ampliar hospitais, oferecer exames ou melhorar o acesso a especialistas, portanto, é importante entender o que realmente cabe ao Estado e como ele pretende fazer isso.

E há o transporte público. Quem passa horas por semana dentro de um trem, metrô ou ônibus metropolitano sabe o peso que um serviço ruim tem na rotina. Por isso, propostas para o transporte precisam ir além de quilômetros de trilhos, novas estações e grandes valores anunciados. É preciso falar de qualidade, regularidade, lotação, manutenção, expansão e do serviço que será entregue à população.

E concessão não significa ausência do Estado. Mesmo quando um serviço é operado pela iniciativa privada, continuam existindo contratos, metas, regulação e fiscalização pública. Segurança pública, rodovias estaduais, sistema penitenciário, infraestrutura e diversas políticas de habitação e desenvolvimento também passam pelo governo estadual, algumas delas com responsabilidades compartilhadas com municípios e União.

É muita responsabilidade. E isso deveria pesar na hora de analisar quem pretende ocupar o cargo. Quando falo em currículo, não estou falando apenas de diploma. Estou falando de trajetória profissional, administrativa e pública, capacidade de gestão, conhecimento sobre o funcionamento do Estado e condições de formar uma equipe capaz de executar aquilo que está sendo apresentado durante a campanha.

Apontar problemas é relativamente fácil. Nós já conhecemos boa parte deles porque convivemos com eles. O que precisamos saber é como o candidato pretende enfrentá-los. Uma promessa para a saúde será executada de que maneira? Quanto custará? De onde virá o dinheiro? O mesmo vale para transporte, educação, segurança ou qualquer outra área.

É por isso que o plano de governo merece mais atenção. Não deveria ser apenas um documento apresentado durante a eleição e esquecido depois dela. Ali estão as propostas de quem pretende administrar o Estado pelos próximos quatro anos. E talvez seja esse um bom exercício para o eleitor: sair um pouco dos vídeos, discursos e frases de campanha e conhecer aquilo que cada candidato efetivamente apresenta como projeto de governo. Não apenas o que pretende fazer, mas como pretende fazer.

Nenhum governador resolverá sozinho todos os problemas de São Paulo. Existem limites orçamentários, competências divididas e decisões que dependem de outros poderes. Entender isso não diminui a cobrança. Ajuda a direcioná-la para aquilo que realmente estará nas mãos de quem ocupar o Palácio dos Bandeirantes.

Nas últimas semanas, venho falando aqui sobre os cargos que encontraremos na urna, seguindo a ordem da votação. Já passamos por deputado federal, deputado estadual e senador. Agora chegamos ao governador. Talvez esse seja um dos cargos em que seja mais fácil perceber o quanto uma escolha eleitoral pode atravessar a nossa rotina.

Porque governo não acontece apenas dentro de um gabinete. Ele chega à plataforma do trem, à sala de aula, ao atendimento de saúde, à segurança, às estradas e aos serviços públicos que utilizamos.

Um plano de governo pode ter centenas de páginas. O que importa é o que ele poderá representar na vida da população nos próximos quatro anos. E é isso que também precisa ser considerado antes do voto.

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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