Dois homens, ambos de 25 anos, foram presos em flagrante acusados de tortura contra pacientes de uma clínica de reabilitação em Suzano, na última quarta-feira (28). A prisão aconteceu durante uma fiscalização realizada pela Polícia Civil, Guarda Civil Municipal (GCM) e Vigilância Sanitária, após denúncias de maus-tratos no estabelecimento.
A clínica fica na estrada do Koyama, no bairro Clube dos Oficiais. Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O.), as equipes chegaram ao local depois de receberem informações de internos de outra instituição, que apontaram possíveis violações de direitos contra as pessoas acolhidas.
Durante a vistoria, os agentes encontraram instalações inadequadas e indícios de irregularidades no funcionamento da unidade. Alguns pacientes foram levados ao 1º Distrito Policial de Suzano, localizado no distrito de Palmeiras, onde prestaram depoimentos sobre o tratamento que recebiam.
À polícia, os internos relataram uma rotina marcada por agressões físicas, ameaças, castigos e pressão psicológica. Também afirmaram que sofriam restrições para sair do estabelecimento e eram privados de alimentação como forma de punição.
De acordo com a investigação, essas práticas teriam sido utilizadas para impor disciplina e evitar que os pacientes deixassem a clínica. Os depoimentos foram colhidos individualmente, gravados em vídeo e apresentaram relatos semelhantes sobre as situações vividas no local.
Algumas vítimas também se queixaram de agressões recentes e pediram atendimento médico. Elas foram encaminhadas para avaliação de saúde e realização de exames periciais.
Diante dos relatos e das condições encontradas na unidade, a Polícia Civil decidiu pela prisão em flagrante dos dois homens. Um deles permaneceu em silêncio durante o depoimento, enquanto o outro negou as acusações.
A fiscalização também resultou na adoção de medidas administrativas pelos órgãos responsáveis. Uma perícia criminal foi solicitada para documentar as condições do imóvel e reunir outros elementos para a investigação.
Profissionais do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) estiveram na delegacia para prestar apoio às vítimas. O atendimento incluiu contato com familiares, orientações e encaminhamento para acolhimento institucional daqueles que manifestaram interesse.
Após os procedimentos policiais, os dois homens tiveram o encaminhamento determinado à Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde ficariam à disposição da Justiça até a audiência de custódia, responsável por avaliar a manutenção das prisões.





