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Moradora de Suzano perde 95% da visão após aguardar há anos por cirurgia; demora é atribuída ao Governo do Estado e família realiza campanha de arrecadação

Divanir Rodrigues Assis, de 53 anos, moradora de Suzano, aguarda há mais de quatro anos por uma cirurgia oftalmológica de alta complexidade, cuja responsabilidade é do Governo do Estado de São Paulo. Diagnosticada com catarata e descolamento de retina em ambos os olhos, Divanir já perdeu cerca de 95% da visão, restando aproximadamente 5% da capacidade visual.
A condição compromete severamente sua autonomia e qualidade de vida. Além disso, ela é paciente renal crônica e realiza sessões de hemodiálise três vezes por semana. Segundo a família, a perda visual avançou de forma significativa ao longo do período em que a paciente aguardou pelo procedimento cirúrgico.
Mesmo após anos de acompanhamento na rede pública, não houve encaminhamento para a realização da cirurgia indicada, o que agravou ainda mais o quadro clínico.

O portal Hoje Diário conversou com familiares de Divanir, que relataram a longa trajetória em busca de atendimento na rede pública de saúde. Diante da demora e da ausência de uma solução concreta, a família decidiu iniciar uma arrecadação de fundos pela internet (Vakinha) para obter recursos destinados à realização da cirurgia na rede particular, indicada após a perda quase total da visão.

De acordo com os relatos, o primeiro atendimento ocorreu na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do Jardim São José, em Suzano. Em seguida, Divanir foi encaminhada ao Ambulatório de Especialidades Doutor Joracy Cruz e, posteriormente, ao Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Mogi das Cruzes, unidade administrada pelo Governo do Estado de São Paulo, onde realizou exames oftalmológicos. No entanto, conforme informado pelos familiares, não houve autorização ou agendamento do procedimento cirúrgico. Mesmo após os atendimentos e os encaminhamentos realizados, a família afirma que a paciente permaneceu sem vaga para a cirurgia por mais de quatro anos.

Durante esse período, o quadro oftalmológico se agravou, aumentando o risco de perda total da visão. Diante da gravidade da situação, a família buscou atendimento particular. Após novos exames em um hospital especializado, foi indicada uma cirurgia delicada, com custo estimado em R$ 15 mil por olho, totalizando R$ 30 mil, valor incompatível com a condição financeira da família.

Até o momento, a campanha de arrecadação pela internet arrecadou cerca de R$ 1 mil. Interessados em contribuir podem acessar o link https://www.vakinha.com.br/5858096. “Quem puder nos ajudar de alguma forma, ficaremos imensamente felizes e gratos. Estamos passando por uma situação muito difícil, e qualquer apoio fará uma grande diferença para nós”, afirmou o filho de Divanir, Walberty Rodrigues.

O portal Hoje Diário solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Em nota à reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Suzano informou que Divanir foi atendida inicialmente na rede municipal, passou pelo Ambulatório de Especialidades Médicas Doutor Joracy Cruz e, posteriormente, foi encaminhada ao AME de Mogi das Cruzes, unidade do Governo do Estado, onde foi atendida e recebeu alta em 2022. Em 2023, a paciente retornou à rede municipal, passou por nova consulta com oftalmologista, que solicitou exame de mapeamento de retina, já agendado para 6 de fevereiro de 2026. Segundo a Prefeitura de Suzano, eventuais cirurgias de alta complexidade são de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. A administração municipal afirma que não houve falhas no atendimento e que a paciente continuará sendo acompanhada conforme a evolução do quadro clínico.