Quatro meses após transplante de coração, menino de três anos de Suzano reaprende a viver e reforça importância da doação de órgãos

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Poucos dias após a Câmara de Vereadores de Suzano aprovar a criação da Semana Municipal Rafaella Marques da Silva de Conscientização sobre a Doação de Órgãos, em homenagem à jovem de 22 anos que morreu enquanto aguardava um transplante de coração, uma nova história sobre a espera por um órgão ganha destaque na cidade. Desta vez, com um desfecho de esperança.
Hoje, aos três anos, Gael Henrique Soares carrega a história de uma segunda chance. O menino está vivo graças a um transplante de coração realizado em fevereiro deste ano. Quatro meses após a cirurgia, ele já voltou a brincar, correr e se alimentar normalmente, embora ainda siga uma rotina de cuidados intensivos.

Em entrevista ao portal Hoje Diário, a mãe de Gael, Dalva Soares de Oliveira, de 30 anos, contou como tem sido a recuperação do filho.
“Ele teve que reaprender tudo de novo. Ficou muito tempo parado e precisou fazer fisioterapia para voltar a andar”, contou Dalva.
Segundo a mãe, Gael segue em acompanhamento médico e faz uso de medicamentos imunossupressores e antibióticos preventivos. Durante o primeiro ano após a cirurgia, os cuidados precisam ser redobrados para evitar infecções.
“A gente não deixa ele sair para a rua, nem ter contato com outras crianças. A única criança com quem ele tem contato é o irmão dele”, relatou.

Em janeiro de 2026, a reportagem do portal Hoje Diário acompanhou o drama vivido pela família do garoto que, aos dois anos, foi internado em estado gravíssimo após apresentar um quadro de insuficiência cardíaca. Inicialmente atendido em Suzano e em Mogi das Cruzes, Gael foi transferido para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, após conseguir uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil especializada.

Segundo Dalva, os médicos identificaram que uma pneumonia silenciosa provocou uma grave inflamação no coração do menino.
“O coração dele estava perdendo as funções. Eles tentaram diversos tratamentos, mas não houve melhora e nos disseram que ele provavelmente precisaria de um transplante”, contou.

Durante a internação, a situação de Gael se agravou. O menino sofreu novas paradas cardiorrespiratórias e precisou ser colocado na ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), equipamento que substitui temporariamente as funções do coração e dos pulmões. Ele também precisou de suporte para os rins e permaneceu em estado crítico.

Depois de entrar na fila do transplante, a família passou dias de angústia aguardando por um órgão compatível. A notícia mais esperada chegou na manhã de 17 de fevereiro de 2026.
“Quando me ligaram dizendo que tinham conseguido um coração para o Gael, eu até fiquei mole. Perguntei se não estavam brincando comigo”, relembrou a mãe.

O órgão veio de uma doadora de um ano e meio e foi transportado de helicóptero até o hospital. No mesmo dia, Gael foi submetido ao transplante.
Apesar do sucesso da cirurgia, a recuperação foi longa. O menino apresentou complicações decorrentes das paradas cardiorrespiratórias, teve lesões no fígado, episódios de convulsão e permaneceu internado por quase três meses.

Para acompanhar o tratamento do filho, Dalva, que também é mãe solo, precisou deixar o trabalho e hoje está totalmente dedicada aos cuidados com Gael. Antes disso, atuava como autônoma, realizando trabalhos em eventos nas áreas de logística e limpeza, além de atividades como freelancer.

Atualmente, com a rotina de consultas, acompanhamento médico e cuidados diários com a criança, ela não consegue retornar ao mercado de trabalho e enfrenta dificuldades financeiras. Parte das medicações é fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas alguns medicamentos e despesas com transporte ainda são custeados pela família.
Dalva também aceita doações para ajudar a custear este período tão importante da recuperação de Gael. Quem puder contribuir pode enviar qualquer valor pelo Pix: (11) 94178-3867.

No último dia 12 de junho, Gael completou 3 anos de idade. Para a família, a data teve um significado especial: celebrar uma vida que, há poucos meses, esteve por um fio.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal
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