“Tudo é energia”, por Luci Bonini

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Já pensou na quantidade de energia que percorre o seu corpo sem pedir licença? Algumas delas têm bilhões de anos. Outras foram inventadas há pouco mais de um século. Algumas nós compreendemos razoavelmente bem, outras nem tanto.
Vamos lá: somos despertados pela luz do Sol, essa velha companheira da humanidade. Bastam alguns minutos sob seus raios para que milhares de reações químicas aconteçam silenciosamente em nosso organismo. O Sol organiza nossos dias, alimenta as florestas, aquece os mares e sustenta praticamente todas as formas de vida conhecidas. No entanto, quando foi a última vez que você parou alguns minutos apenas para contemplar o amanhecer?

Ele vai embora e então é a Lua quem assume seu delicado ofício. Ela continua comandando as marés, inspirando poetas e povoando nossas orações e nossas saudades. Há quem sorria ao ouvir que ela interfere em nossas vidas.
Há também os ventos. Uma brisa suave que entra pela janela é capaz de mudar o humor de uma tarde inteira. Um vendaval, por sua vez, nos recorda que a natureza é infinitamente mais poderosa do que nossas pretensões humanas. Até as maiores forças da natureza nos ensinam que potência e delicadeza podem habitar o mesmo corpo.

E tem mais…. sabe aquela energia tão silenciosa que quase nunca merece nossa gratidão: a gravidade. Ela nos mantém abraçados à Terra desde o primeiro segundo de nossas vidas.
Mas nós, seres humanos, resolvemos criar nossas próprias estrelas. Inventamos a luz elétrica e, desde então, deixamos de obedecer ao pôr do Sol. Transformamos a noite em dia e acreditamos que também poderíamos modificar nossos ritmos mais antigos. Dormimos menos, trabalhamos mais. Dormimos ao lado do telefone celular, jantamos acompanhados da televisão e, algumas vezes, esquecemo-nos até de conversar com nós mesmos.

Vivemos mergulhados em campos eletromagnéticos produzidos pela natureza e pelas nossas invenções. Há ainda fenômenos fascinantes, como a Ressonância Schumann, produzida pelas descargas elétricas naturais que acontecem entre a superfície terrestre e a ionosfera.
E no meio de tantas energias invisíveis que nos atravessam diariamente, há uma sobre a qual pouco falamos: a energia dos seres humanos. Sim, aquela que emana dos abraços sinceros, dos olhares acolhedores, da conversa boa com quem atravessa um dia difícil. Há pessoas que chegam aos lugares como um raio de Sol numa manhã de inverno, mas há algumas que carregam consigo verdadeiras tempestades. Não sabemos medir cientificamente a potência de um gesto de amor, mas sabemos exatamente quando ele nos alcança.

Talvez este seja um dos maiores desafios do nosso tempo: aprender novamente a ouvir os ritmos da natureza e do próprio corpo. Dormir melhor. Apagar algumas luzes artificiais para observar as naturais… Trocar parte do tempo diante das telas por alguns minutos olhando o céu… Caminhar com mais calma… Abraçar por mais tempo as pessoas que amamos…
Talvez a verdadeira sabedoria não esteja em compreender todas as energias do Universo, mas em agradecer, todos os dias, pelo privilégio de poder senti-las.
Uma coisa para se pensar é: será que estamos preocupados demais com as energias invisíveis que nos atravessam e pouco atentos àquelas que oferecemos diariamente aos outros?

(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).

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