Desde o início de 2026, muitos empresários passaram a notar uma novidade na emissão das notas fiscais eletrônicas: os campos destinados à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) já aparecem nos documentos fiscais. Para quem não acompanha de perto a Reforma Tributária, a dúvida é natural: se esses tributos já estão na nota, por que ainda não estão sendo cobrados?
A resposta está no período de transição previsto pela Reforma Tributária.
O ano de 2026 foi definido como uma fase de testes do novo modelo de tributação sobre o consumo. Nesse período, as empresas precisam emitir notas fiscais com as informações da CBS e do IBS para que sistemas, empresas e administrações tributárias possam validar processos, identificar possíveis falhas e garantir que a migração para o novo sistema ocorra de forma organizada.
Na prática, isso significa que os valores da CBS e do IBS podem aparecer destacados na nota fiscal, mas ainda não representam uma cobrança efetiva dos novos tributos durante essa etapa de adaptação.
Essa fase é fundamental porque envolve milhares de empresas, diferentes sistemas de gestão (ERPs), emissores de notas fiscais e órgãos públicos em todo o país. A intenção é que todos estejam preparados antes da implementação gradual da cobrança prevista no cronograma da reforma.
Mesmo sem impacto financeiro imediato, o empresário não deve ignorar essa mudança. É importante verificar se o sistema emissor de notas está atualizado, se o cadastro de produtos e serviços está correto e se a empresa está classificando adequadamente suas operações. Pequenos erros cadastrais hoje podem gerar retrabalho, inconsistências fiscais e dificuldades quando a transição avançar.
Outro ponto importante é manter um diálogo constante com a contabilidade. A Reforma Tributária altera significativamente a forma como os tributos sobre o consumo serão calculados e controlados. Por isso, acompanhar as atualizações legais e operacionais será essencial para evitar problemas futuros.
Entre os erros mais comuns observados neste início de adaptação estão a falta de atualização dos sistemas, o uso de cadastros fiscais desatualizados, a ausência de treinamento das equipes responsáveis pela emissão de documentos fiscais e a falsa percepção de que a empresa só precisará se preocupar quando houver cobrança efetiva.
A Reforma Tributária não começa apenas quando os novos tributos passam a ser pagos. Ela começa na preparação. Empresas que aproveitarem esse período para revisar processos, atualizar sistemas e capacitar suas equipes terão uma adaptação muito mais tranquila e estarão em vantagem quando o novo modelo estiver plenamente em funcionamento.
(Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal HojeDiario.com).




