O médico Mituro Hattori Júnior, de 52 anos, muito atuante em hospitais e unidades de saúde da região do Alto Tietê, foi preso em Mogi das Cruzes após a esposa sofrer queimaduras pelo corpo durante uma discussão do casal. A mulher afirmou à polícia que o marido jogou álcool nela e ateou fogo. O médico apresentou outra versão e negou ter provocado as chamas.
O episódio aconteceu no domingo (09), em um condomínio no Parque Monte Líbano. Uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) foi procurada por um trabalhador do residencial, que relatou uma discussão entre um casal.
Quando os agentes chegaram, encontraram a mulher deixando o condomínio com queimaduras pelo corpo. Ela recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhada para um hospital particular de Mogi das Cruzes, onde permaneceu internada.
A versão apresentada pela vítima consta no Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado pela Polícia Civil. Ela relatou que a discussão começou enquanto cobrava do marido a senha de desbloqueio do celular. Como ele teria se recusado a fornecê-la, o médico, ainda segundo o relato da mulher, jogou álcool sobre seu corpo e ateou fogo.
Mesmo depois de contar aos policiais o que teria acontecido, a mulher não queria que o caso resultasse na prisão do marido. Ao ser avisada de que ele seria levado para a delegacia, disse que não gostaria de registrar a ocorrência porque não queria vê-lo preso.
Mituro Hattori Júnior, por outro lado, apresentou aos policiais uma narrativa diferente sobre aquela madrugada. Ele contou que está casado com a vítima há 16 anos e que o casal não tem filhos. No depoimento, também afirmou que a esposa foi diagnosticada há cinco anos com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), não realiza acompanhamento regularmente e utiliza medicamento controlado.
O médico declarou ainda que o relacionamento dos dois se tornou tumultuado nos últimos três anos. Na madrugada de domingo (09), conforme sua versão, ele estava dormindo quando foi acordado pela mulher por volta das 3h. Ela estaria irritada porque ele havia esquecido o aniversário dela e não comprado um presente.
Durante a discussão, Hattori afirmou ter deixado o apartamento e ido para o corredor do condomínio, área que, segundo ele, possui câmeras de monitoramento.
O médico declarou que só retornou ao imóvel depois de ouvir os gritos da esposa. Ao entrar, afirmou tê-la encontrado com parte do corpo e os cabelos em chamas. Ele disse que prestou socorro à mulher e desceu com ela de elevador até a portaria, onde pediu que o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) fosse chamado.
A ocorrência foi registrada na Central de Polícia Judiciária de Mogi das Cruzes como tentativa de homicídio e violência doméstica. O médico foi preso em flagrante. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
Mituro Hattori Júnior permanece detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes.




