Quando enfrentamos problemas do dia a dia, como transporte, saúde, segurança, educação ou infraestrutura, pensamos que a solução depende apenas da prefeitura ou do governo do Estado, mas, na verdade, parte das decisões que interferem nessas áreas é tomada em Brasília, no Congresso Nacional.
Os senadores fazem parte desse processo e, nas eleições de 2026, os eleitores de São Paulo escolherão duas novas pessoas para ocupar as vagas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, daqui a pouco mais de duas semanas.
Diferentemente dos deputados, que representam a população proporcionalmente e têm atuação principalmente na Câmara, os senadores representam os estados. Cada unidade da Federação tem três senadores, independentemente do tamanho da população, e cada mandato dura oito anos. Mas, afinal, o que um senador faz?
Senador não é “deputado que trabalha em Brasília”
Senadores e deputados federais fazem parte do Congresso Nacional, mas possuem atribuições diferentes. O Senado é formado por 81 parlamentares: três representantes de cada estado e do Distrito Federal.
Uma das principais funções dos senadores é participar da elaboração das leis federais. Um projeto pode começar na Câmara ou no Senado e, dependendo do caso, passar pelas duas Casas antes de chegar à sanção presidencial. O Congresso também participa da discussão e da aprovação do Orçamento da União.
Isso significa que um senador pode participar de decisões sobre temas que ultrapassam as fronteiras de um município. Regras nacionais relacionadas à saúde, educação, segurança, transporte, meio ambiente, impostos, trabalho e diversos outros assuntos podem ter reflexos nos estados e nas cidades.
Outra função importante é a fiscalização do Poder Executivo federal. O Senado pode, por exemplo, solicitar informações a ministros, avaliar políticas públicas e participar de comissões parlamentares de inquérito.
A Constituição também estabelece competências exclusivas do Senado, como analisar determinadas indicações feitas pela Presidência da República e autorizar algumas operações financeiras envolvendo estados e municípios. Vamos falar mais detalhadamente disso abaixo.
E o que isso tem a ver com o Alto Tietê?
Uma eleição para o Senado pode parecer distante, mas tem consequências concretas para uma região como o Alto Tietê. Um exemplo está no Orçamento da União.
Senadores e deputados podem apresentar emendas parlamentares para direcionar recursos federais a determinadas ações e localidades. Essas verbas podem chegar a estados e municípios por diferentes modalidades, inclusive para áreas como saúde e infraestrutura, desde que respeitadas as regras orçamentárias e de execução.
Ou seja, uma cidade do Alto Tietê pode ser beneficiada por recursos federais indicados por um parlamentar. O dinheiro pode contribuir, por exemplo, para investimentos em equipamentos públicos, obras ou serviços, conforme a finalidade definida para a emenda.
O próprio Senado mantém uma ferramenta para acompanhar as emendas parlamentares e identificar quem indicou o recurso, para onde ele foi destinado e qual é a situação da execução.
Senadores também analisam propostas
É importante, porém, não reduzir o trabalho de um senador à indicação de emendas. Um parlamentar pode defender ou rejeitar propostas que alterem regras nacionais com impacto sobre os municípios.
Uma mudança na legislação de saúde, por exemplo, pode afetar a forma como recursos e responsabilidades são distribuídos entre União, estados e prefeituras. O mesmo vale para questões ambientais, mobilidade, segurança pública, educação e desenvolvimento econômico.
No caso do Alto Tietê, uma discussão nacional pode ter reflexos locais mesmo quando não menciona diretamente Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Arujá, Santa Isabel, Guararema, Biritiba Mirim ou Salesópolis.
Isso acontece porque os municípios fazem parte de políticas públicas que envolvem diferentes níveis de governo. A União estabelece leis, financia programas e define parte das regras; estados e municípios também possuem suas próprias competências.
O senador também pode fiscalizar decisões que afetam os estados
Outra dimensão pouco lembrada é a fiscalização. Como integrante do Congresso, o senador pode questionar ministros, participar de comissões, analisar políticas públicas e cobrar informações do governo federal. O Senado também exerce competências específicas previstas na Constituição.
Para o eleitor do Alto Tietê, isso significa que a atuação de um senador não precisa necessariamente aparecer como uma obra com uma placa indicando seu nome. Ela também pode estar relacionada a uma lei aprovada, uma política federal fiscalizada, uma mudança no orçamento ou uma decisão sobre recursos que chegam aos municípios.
Por que prestar atenção agora?
A escolha dos senadores costuma receber menos atenção do que a disputa presidencial ou para governador, mas, em 2026, ela terá uma característica importante: cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado.
Isso ocorre porque, neste ciclo eleitoral, serão renovadas duas das três cadeiras de cada estado. Os senadores eleitos terão mandato de oito anos. Por isso, antes de chegar à urna em 4 de outubro, o eleitor pode olhar além da propaganda eleitoral e acompanhar o que cada candidato afirma sobre temas de interesse do Estado, sua experiência anterior no setor público e suas propostas para a atuação no Congresso.
Também é possível verificar posteriormente o que os parlamentares efetivamente fizeram: quais projetos apoiaram, como votaram, quais emendas indicaram e para onde os recursos foram destinados.




