O Ministério da Saúde vai adquirir até 20 mil doses da vacina contra mpox para reforçar o estoque do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta informou que a compra tem caráter preventivo e estratégico.
O Brasil confirmou 665 casos da doença em 2026, número 94% menor que o registrado em 2022, quando houve mais de 10 mil ocorrências. Apesar da redução, o Ministério afirma que é necessário manter a vigilância e a disponibilidade de doses para atender às demandas identificadas nos estados.
A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids que tenham contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico, grupo com maior risco de desenvolver formas graves. A orientação é procurar o centro de referência onde já recebem acompanhamento para fazer o cadastro e, depois, agendar a vacinação. Doses remanescentes também podem ser destinadas a pessoas com HIV/aids e CD4 inferior a 200, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
O esquema prevê duas doses, aplicadas com intervalo de 28 dias. A vacinação após exposição é recomendada, de preferência, nos quatro primeiros dias depois do contato. Ela também pode ser feita em até 14 dias; nesse período, a efetividade para evitar a infecção é menor, mas a imunização pode ajudar a reduzir o risco de evolução para formas graves.
A mpox é uma doença viral zoonótica, anteriormente conhecida como varíola dos macacos. Os sintomas podem durar de duas a quatro semanas e incluem erupções na pele, febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e fraqueza. As lesões podem começar como manchas, evoluir para bolhas e formar crostas, e aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e na região genital. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos tem evolução leve a moderada.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões ou erupções na pele de uma pessoa infectada, secreções corporais, como pus, sangue das lesões e saliva, ou objetos contaminados, entre eles roupas, toalhas, lençóis e utensílios. Também pode ocorrer após contato próximo e prolongado com secreções respiratórias de uma pessoa infectada.
O monitoramento é feito em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde. Entre as medidas estão identificação e notificação de casos suspeitos, investigação epidemiológica, diagnóstico laboratorial, isolamento de pessoas infectadas e orientação a contatos.
Pessoas com sintomas compatíveis, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Profissionais podem investigar possíveis exposições, orientar sobre cuidados e, quando indicado, coletar amostras para diagnóstico. Quem teve contato próximo com alguém com suspeita ou confirmação da doença também deve buscar atendimento para avaliação do risco de exposição.



